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Resenha #285: A Garota do Cemitério - Charlaine Harris, Chistopher Golden & Don Kramer

Título:  A Garota do Cemitério
Autores: Charlaine Harris, Chistopher Golden & Don Kramer
Tradução: Heloísa Lea
Editora: Valentina
Edição: 1
ISBN: 978-85-5889-035-9
Gênero: HQ - Ficção
Ano: 2017
Páginas: 128

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RESENHA


A Garota do Cemitério é a estréia da Editora Valentina no universo dos quadrinhos. Aqui, temos a união de três artistas que resultou num bom trabalho. A primeira é a escritora Charlaine Harris (famosa pelos livros que deram origem ao seriado True Blond) que escreveu o roteiro da histórias junto com Chistopher Golden e por fim temos Don Kramer, responsável pela arte.
Essa HQ será uma trilogia chamada Os Impostores, sendo A Garota do Cemitério o primeiro volume. Aqui, conhecemos uma jovem que foi abandonada ferida no cemitério para morrer. Ela não lembra quem é e muito menos de onde veio. Está completamente perdida, mas precisa buscar formas de descobrir seu passado e respostas para saber quem quer o seu mal.

Passeando nos túmulos do cemitério, ela se dá o nome de Calexa, inspirada numa lápide. Assim, ela faz daquele local o seu lar, roubando coisas do zelador do lugar e de alguns moradores da região. Até que um dia ela presencia um estranho ritual de invocação, que envole assassinato. A alma que sai do corpo, acaba invadindo Calexa que se enche de memorias que não são dela e como se não bastasse os seus problemas, novos e de outra pessoa, aparecem para perturbá-la ainda mais. Caberá a jovem decidir sair das sombras (e do rastro de seus malfeitores) e ajudar ao espirito que clama por justiça. 
Essa grafic novel é de leitura super rápida e em uma sentada acabamos com a leitura. Temos um mistério envolvendo a personagem principal que pouco é revelado; a protagonista não lembra de nada e pouco recursos possui para procurar saber quem ela é. No entanto, esse novo mistério envolvendo o espirito acaba provocando um desvio, e assim, o leitor acaba sem saber o que realmente aconteceu no passado da Calexa. 

Os desenhos feitos pelo Kramer são bem escuros com traços fortes, eles conseguem transmitir essa áurea mais dark do cemitério e envolver o leitor nas noites escuras dentro de um local tido como assombrado. Esse traço lembra muito os quadrinhos de super-heróis, se dando, talvez, por sua experiência na DC.
No geral, gostei bastante de ter lido essa obra. Não sou muito fã de série, gosto das coisas resolvidas em um único volume, no entanto, creio que trabalhar com desenhos dê mais trabalho. Por isso a escolha dos autores por ser ser trilogia. 

Sobre a obra, a Valentina caprichou mais uma vez. Temos os desenhos impressos em papel couché matte 150g (similar ao de fotografia) que é mais recomendável para esse tipo de impressão e a capa ficou muito bonita também. Não encontrei nenhum erro no texto. 

Até logo, 
Pedro Silva





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Resenha #284: Royale Com Queijo - Mariza Gualano



Título: Royale Com Queijo
Autor: Mariza Gualano
Editora: Valentina
Edição: 1
ISBN: 978-85-65859-58-5
Gênero: Não-Ficção / Gastronomia / Cinema
Ano: 2015
Páginas: 240

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RESENHA


Royale Com Queijo, publicado pela editora Valentina, traz um copilado de frases sobre gastronomia retiradas de mais de 600 filmes do cinema mundial com uma variedade de gêneros e épocas, selecionados pela autora carioca Mariza Gualano.
Dentro da culinária temos uma gama infinita de sabores e sensações e nessa obra encontramos de tudo um pouco, como os saborosos chocolates da Fantástica Fabrica de Chocolates (1971), as panquecas em Imitação da Vida (1959), uísque em Os infratores e o veganismo em Um Anjo em Minha Mesa (1990). São tantos pratos os deliciosos e conversas que chegam a deixar a boca cheia d'água.

O divertido dessa obra é que realmente ao lermos as frases do cinema, vamos ficando com fome e com vontade de experimentar cada sensação descrita nas cenas e isso é um sentimento tão frustante por não termos os pratos em casa que acabamos anotando as resenhas para tentar repetir.. Por outro lado, conseguimos nos colocar na pele de alguns personagens que falam de comidas que já provamos e esse sentimento é bem compreensível.
Os filmes estão todos organizados no final do livro e podemos assim maratonar, se quisermos, aqueles que ainda não assistimos. A autora ainda se preocupou em colocar uma lista em branco, para o leitor preencher com frases que não estão na obra, mas que são de sua preferência.
Apesar de ter uma edição maravilhosa da editora Valentina, com capa semidura e folha de guarda preta, o livro é apenas um copilado de frases trazendo, em algumas, a descrição do contexto da frase e a ficha técnica da obra. No inicio ainda temos uma bem pequena introdução do Joaquim Oristell.

No geral é um livro para curiosos ou amantes do cinema que gostam de colecionar coisas relacionadas ao tema e que com certeza vai preencher aquele espaço dedicado à sétima arte da sua estante.

Você já leu essa obra? O que achou?

Até mais,
Pedro Silva

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Resenha #283: Princesa das Águas - Paula Pimenta

Título: Princesa das Águas
Autor: Paula Pimenta
Série: Princesas Modernas #3
Editora: Galera Record
Edição: 1
ISBN: 9788501075727 
Gênero: Jovem Adulto
Ano: 2016
Páginas: 368
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RESENHA



Paula Pimenta é brasileira, de Belo Horizonte, e ficou bastante conhecida pelas séries “Fazendo Meu Filme” e “Minha Vida Fora de Série”, agora a mineira faz sucesso com sua nova série “Princesas Modernas” onde o foco são as releituras de diversos contos de fadas adaptados para o mundo atual. 
“A Princesa das Águas” é o terceiro livro dessa série e vem nos recontar o famoso conto da Pequena Sereia. Nesse caso, conhecemos Arielle, uma jovem que perdeu sua mãe assim que nasceu, ela é uma nadadora super premiada e prestes a ir para as Olimpíada. Sua vida se resume a escola e treinos e, apesar de amar o esporte, Arielle, conhecida como A Princesa das Águas, é um pouco infeliz por não poder levar uma vida normal como qualquer outra adolescente de 16 anos. 

Sufocada pela rigidez de seu pai e do seu técnico, além do contínuo julgamento da imprensa, ela se revolta durante uma viagem para Suíça, onde ela foi competir mais uma vez, e foge para uma festa de confraternização dos atletas que estavam no torneio. É durante essa celebração que ela conhece e se apaixona por Erico, um tenista suíço bastante premiado, mas, é durante a mesma festa que ele sofre um acidente e é salvo por Arielle. Logo que a ambulância chega ela foge do local e deixa Erico aos cuidados dos médicos e com a vaga lembrança da garota que o salvou e cantou pra ele.
É bem difícil resumir a história com poucas palavras, o livro é cheio de acontecimentos e tem uma premissa bem diferente de outros que eu já li. 
Os personagens são todos muito fofos e, desde o primeiro segundo é impossível não torcer para que Erico e Arielle fiquem juntos, mas, claro que tem que ter alguém pra atrapalhar e a vilã desse livro foi, particularmente, Insuportável. Sula é uma atleta do nado sincronizado que vai fazer de tudo para destruir qualquer coisa entre Erico e Arielle e por várias vezes eu quis entrar no livro só pra bater na cara dela.

Como sempre, a escrita da Paula é maravilhosa, é impossível largar o livro (perdi uma noite de sono por causa dela). A escrita é fácil, fluida e apaixonante, você só consegue largar o livro quando ele acaba e, mesmo assim, fica com aquele gostinho de quero mais, coisa que também aconteceu quando eu li outros livros da autora.

A Editora Gutemberg fez uma edição muito linda e que combina com as dos outros livros da série, deixando eles muito fofinhos juntos. Além disso, a revisão e a diagramação interna são impecáveis. Só podemos torcer que a Paula não demore muito para lançar mais um livro para a série.

Resenhado por:
Maria Clara Donato

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Resenha #282: Dicas da Imensidão - Margaret Atwood

Título: Dicas da Imensidão
Autor: Margaret Atwood
Tradutor: Ana Deiró
Editora: Rocco
Edição: 1
ISBN: 978-85-325-2991-6
Gênero: Contos Estrangeiros
Ano: 2017
Páginas: 240

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RESENHA


Dicas da Imensidão, de Margaret Atwood, foi publicado originalmente em 1991, mas só traduzido agora em 2017 pela editora Rocco, marcando assim uma nova proposta de designe gráfico para a obra da autora na casa editorial. Atwood escreve sobre colapsos mentais, casamento, relacionamento, traição, acampamento de verão, jornais, direitos das mulheres e outras questões sociais.
O livro traz em seu conteúdo dez contos que destrincha o universo feminino com uma abordagem bem diferente da que já estamos acostumados. Isso porque, em nenhum momento Atwood trata a mulher com um ser que se dedica ao esposo e que deseja um casamento perfeito típico dos contos de fadas. Pelo contrário, suas personagens são independentes e embora se mostrem frágeis em primeira instancia, em seguida, se revelam donas de si e que são responsáveis por  aquilo que desde o inicio não estava planejado do jeito delas, mas que há uma forma de contorno. Em outros momentos, da inocência, as personagens amadurecem com o amargo da vida e buscam sejam no trabalho, no passado ou num tumor, uma forma de amenizar esse sofrimento.

Já os homens retratados nessa obra são machistas, cheios de si e se acham os donos do mundo, do tipo que pensam que a mulher deve ser submissa a eles. Homens que não podem ver uma mulher ganhando mais poder ou notoriedade que já pensam em alguma forma de derrubá-la daquele ponto de destaque.

Farei uma breve descrições dos contos aqui.


“Lixo Verdadeiro”,abre a coletânea e traz um grupo de meninos que estão em um acampamento de verão e espiam as garçonetes mais velhas. Uma delas se chama Ronette, e desperta a atenção por ser mais desinibida. Donny, um dos meninos, tenta defender a sua maneira a honra da adolescente que tem fama de ser fácil demais.

"Bola de Cabelo" conta a história de Kat, uma jovem que enfrenta uma doença e ao mesmo tempo quer vingança do seu amante casado. Aqui há uma bela metáfora com a doença e os males que a relação trouxe a personagem.

"Isis na Escuridão", é sobre um homem casado, mas que cria uma obsessão por Selena, uma misteriosa poeta que ele conheceu durante um sarau. Trata muito de escolhas, arrependimentos e de solidão.

Em “O Homem do Brejo”, um professor universitário de arqueologia dedicado a descobrir a história de um sacrifício humano preservado pela lama. Ele tem um caso com uma de suas alunas, Julie, que o acompanha nessa jornada de pesquisa para “ajudá-lo”, mas no local, a jovem entra em choque.
"Morte por Paisagem" é uma história sobre a amizade entre duas garotas também em um acampamento em meio a uma tragédia. Lois, uma das garotas, passa a vida inteira tentando lidar com sua perda. Nesse conto, Atwood faz uma brincadeira com uma coleção de pinturas que deixa o conto muito bonito, apesar de triste.

Mae é a protagonista do conto "Tios", ela não tem pai e vive rodeadas pelos seus três tios, os quais a admira muito. No inicio temos uma criança promissora, e a jovem se torna uma jornalista de renome. Por influência dos tios, ela acaba enfrentando uma avalanche de sentimentos ruins.

"A Era do Chumbo" é uma história sobre a Expedição Franklin de 1845, uma viagem britânica pelo Ártico em busca da Passagem Noroeste. Jane é fascinada pela descoberta moderna de um homem congelado, John Torrington, que morreu durante a expedição. Ela compara o homem congelado com seu amigo de infância, Vincent, cuja morte a deixou vazia.

"Peso" fala sobrea profunda  lealdade entre amigas. Molly foi espancada até a morte por seu marido e sua melhor amiga faz o que pode para levantar dinheiro e conscientização para mulheres maltratadas, através da instituição que ela fundou.

O conto que dá título à obra traz três quatro irmãos, sendo Roland o único homem. George é um refugiado húngaro, ele é casado com uma das irmãs, mas faz amor com as demais. É um dos tantos excelentes contos da coleção.

Pra fechar, temos "Quarta-feira Inútil" que se passa no final dos anos 1980 com a protagonista Marcia, uma colunista de jornal, mas ela está sendo espremida. Seu marido, Eric, luta por todas as causas, mas sua carreira está abrandando. É uma história sobre o longo caminha através da meia-idade.
Nenhum dos contos, a meu ver, é feliz. Todos mostram alguma tristeza, seja uma frustação de uma criança que acreditava que o mundo era uma dança de sapateado, a quebra de confiança daqueles que amamos ou uma tragédia que nunca se resolveu.

Esse é uma ótima porta de entrada para conhecer a obra da autora. Ela tem uma escrita muito fluida, cheia de ironia que brinca de maneira inteligente com o passado e presente sem se perder no tempo. Seus temas refletem sobre a vida e percorrem lugares perturbadores que guardamos a sete chaves no coração. É sem duvida uma das melhores coletânea de contos que já li e traz um panorama tanto rico em descrições psicológico dos seus personagens quanto de informações de fundo que deixa o leitor a par do que está acontecendo. 

Você já leu essa obra? Deixa nos comentários e vamos conversar!

Até logo,
Pedro Silva