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#Resenha 304: A Resistência - Júlian Fuks

Título:  A Resistência
Autor: Júlian Fuks
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1
ISBN: 9788535926378
Gênero: Romance nacional
Ano: 2015
Páginas: 144

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Avaliação: 



RESENHA


Lançado em meados de 2015 e vencedor do Prêmio Jabuti do ano seguinte, A Resistência é o último trabalho publicado pelo autor paulista Júlian Fuks. A obra, uma ficção brasileira, resgata memórias de Sebastián, um escritor que narra a sua busca por respostas em meio a perguntas sobre o passado, família, exílio, e principalmente o seu irmão que já no primeiro parágrafo do romance é nos revelado ser adotado. Apesar de não ter certeza do que escrever, Sebastián resiste, e começa o livro.

A adoção dessa criança ocorre na Argentina em um contexto onde o país se encontrava em domínio de uma ditadura militar. É no Brasil que os casal de psicanalistas busca exílio por conta de sua atuação politica em meio a ditadura. Em São Paulo nascem a irmã e, por fim, o caçula que nos revela os percalços que consegue lembrar de sua vida com foco no irmão mais velho, o adotado.  

As circunstancias da adoção do filho mais velho nunca ficaram muito claras, o que deixou um ressentimento nele e com isso uma certe exclusão. Passado e futuro se misturam nessa narrativa que tem muito de autoficção, onde o autor se vale de aspectos de sua vida pessoal. 

A leitura de A Resistência é um tanto complicada dada a sua estrutura nada linear. Os capítulos são curtos, de leitura gostosa e com uma prosa lirica. No entanto, por falta de uma linearidade, nos perdemos em uma narrativa rica em memórias. Memórias essas que são resgatadas de uma incerteza e que muitas vezes constroem uma situação passada de forma a deixar dúbia a veracidade da narrativa. Ainda mais, a todo instante o narrador nos revela sobre o que quer falar, mas não deixa claro o que de fato é. Da mesma forma em que temos recursos da metalinguagem, em que o narrador nos conta sobre as incertezas em torno do romance que está escrevendo em relação ao sentimento que causará no irmão.
As descrições dos sentimentos são minuciosas, e é possível notar, através da narrativa, os conflitos familiares, a inquietude do narrador por querer solucionar esse problema do irmão, em se redimir de alguma formar. Ele consegue também, evocar memorias e sentimentos de objetos e lugares. São muitos os sentimentos que A Resistência consegue passar, e que uma delas causará algum efeito no leitor.

Por fim, gostaria de dizer que tive dificuldades com esse texto. Reiniciei a leitura duas vezes achando ser falta de dedicação a obra, no entanto, é um livro que requer sim tempo e atenção, mas mais do que isso; é um álbum de uma outra família aberto por mim que sou um intruso e, que por isso, não estou totalmente contextualizado com o que ocorreu. E o disse-não disse contribui para uma falta de aproximação com uma história cheia de incertezas.
“Resistir: quanto em resistir é aceitar impávido a desgraça, transigir com a destruição cotidiana, tolerar a ruína dos próximos? Resistir será aguentar em pé a queda dos outros, e até quando, até que as pernas próprias desabem? Resistir será lutar apesar da óbvia derrota, gritar apesar da rouquidão da voz, agir apesar da rouquidão da vontade? É preciso aprender a resistir, mas resistir nunca será se entregar a uma sorte já lançada, nunca será se curvar a um futuro inevitável. Quanto do aprender a resistir não será aprender a perguntar-se?”
Para quem gosta de uma obra mais introspectiva, até psicológica, que aborda temas como família, exílio, adoção, opressão e o ato de resistir, pode se agradar de A Resistência. 


Até logo,
Pedro Silva

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