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Resenha #270: Atlas de Nuvens - David Mitchell

Título: Atlas de Nuvens
Autor: David Mitchell
Título original: Cloud Atlas
Tradução: Paulo Henriques Britto
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535927580
Gênero: Ficção inglesa
Edição: 1° (2016)
Ano da obra: 2004
Páginas: 544

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Avaliação: 



RESENHA


No final de 2016, a Companhia das Letras trouxe a tradução do incrível romance de ficção cientifica "Atlas de Nuvens" do autor britânico David Mitchell. Publicado originalmente em 2004 com o título de "Cloud atlas", e adaptado para o cinema em 2012 com os atores Tom Hanks, Hugh Grant e Halle Barry, sob direção das irmãs Wachowski. No Brasil, o filme recebeu o título de "A Viagem".
"Atlas de Nuvens" possui seis histórias narradas em um tempo diferente com personagens e situações distintas. Tudo começa com um diário escrito em 1850 pelo advogado americano Adam Ewing, contando sobre a sua travessia do pacifico. Esse diário está sendo lido, em 1931, pelo jovem compositor Frobisher, o qual foi deserdado da família e fugiu sem nada para ser aprendiz de um velho musico. Enquanto isso, ele troca cartas com seu amigo e amante Rufus Sisxmith. Já em 1975, a jornalista Louisa Rey investiga uma usina nuclear que está prestes a causar uma catástrofe. Enquanto investiga e é perseguida por assassinos, ela lê as cartas que Frobisher trocava com Rufus Sisxmith. Essa aventura de Louisa Rey é registrado em um livro policial que chega às mãos de um editor já idoso e no fim de sua carreira. Devendo o pão que o diabo amassou, Timoth Caverdish, tenta fugir, mas acaba preso em um asilo. Essa desventura de Caverndish se transforma em filme, que estará nos registros do depoimento de uma jovem oriental num futuro bem distante. Por fim, num futuro pós-apocalíptico, os feitos desse depoimento ecoam e será a base para os lemas da sexta história e última história.

A complexidade da obra de David Mitchell se releva grandiosa dada a dimensão do espaço e tempo do enredo que ele criou. Temos uma linha cronológica do século XIX, passando pelos anos 1930 e 1970 dos século XX, um futuro distante e um pós-apocalíptico imaginados por uma mente brilhante. Pois só assim para conseguir não só imaginá-los, mas também uni-los de uma forma magistral, deixando o leitor concentrado em seu enredo, mesmo com a quebra das histórias, afinal é literalmente como uma boneca russa; as histórias são abertas, chegam à metade e do nada são interrompidas para à próxima narrativa. E esse recurso se repete até que ele volte fechando as histórias, cada uma por vez. 

Esse futuro retratado por David Mitchell, tem um fundamento ligado fortemente à nossa realidade e ao avanço tecnológicos. São velhos paradigmas à ética na ciência e a pergunta que fica é: até que ponto o homem pode chegar na constante busca de mais e mais?. E a forma como as histórias se ligam, nos leva a crer que um ato do passado acaba repercutindo no futuro e isso leva a uma reflexão sobre nossa existência (ou o fim dela).
Apesar de alguns finais tristes na trama, outros nos fazem acreditar num mundo melhor. Ter um panorama do passado, presente e futuro acaba nos deixando inquietos, com vontade de fazer algo para não termos o mesmo fim. É como se avançássemos tanto que fomos consumidos pela vontade do mais, tanto que o mundo pode não suportar tudo o que almejamos. Nossos atos, mesmo se tratando dos mínimos, irão reverberar ao longo do tempo, mesmo que não estejamos mais aqui para assistirmos os efeitos de nossas ações. E essa é uma das coisas mais extraordinárias da literatura; conseguir nos alertar sobres os efeitos do hoje num tempo que ainda nem existiu, com teorias muito plausíveis e que, no passado, muitos autores de ficção cientifica já imaginaram/previram. Quem sabe, alguém no futuro dirá: "David Mitchell avisou!"?

A tradução belíssima de "Atlas de Nuvens" foi feita pelo Paulo Henriques Britto, e é perceptível o cuidado na escrita, deixando cada narrativa com um estilo próprio de seu gênero e tempo. O diário de Adam possui uma escrita mais rebuscada que recupera traços coloquiais e acaba deixando a leitura um pouco mais lenta, já o livro policial de Louisa é de leitura rápida, com capítulos curtíssimos em uma trama cheia de reviravoltas (tipicas do gênero policial).

Atlas de Nuvens é um livro divertido e com uma trama espetacular que deve ser lido por todos os leitores que gostam de uma aventura inteligente para pensar em nosso futuro.

A adaptação não é uma das melhores e pode ser que deixe a desejar aos telespectadores que não leram o livro. São muitas as informações para pouco tempo (até mesmo para um filme de 2h30) e temos detalhes importantes que não recebem a devida atenção que o autor dá. No geral, é uma adaptação mediana, que surpreende mesmo com a maquiagem e atuação dos atores ao interpretarem até seis personagens.


E você, já leu "Atlas de Nuvens", ou viu o filme? Deixa nos comentários a sua resposta.

Até logo,
Pedro Silva

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