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Resenha #273: A Feiticeira do Inverno - Paula Brackston

Título: A Feiticeira do Inverno
Autor: Paula Brackston
Título original: The Winter Brackston
Tradução: Dênia Sad
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528620719
Gênero: Ficção 
Edição: 1° (2016)
Ano da obra: 2013
Páginas: 322
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Avaliação: 




RESENHA


O livro A Feiticeira do Inverno foi lançado no finalzinho de 2016 pela Editora Bertrand Brasil e logo me chamou atenção pela capa e pela premissa do enredo.
Neste novo romance da Paula Brackston, conhecemos Morgana, uma jovem que vive com a mãe em uma pequena Galesa no século XIX. Algum mistério envolve seu passado e tem relação com seu pai, sua mãe é idosa e doente, vivendo dos cuidados da filha. Com o agravamento de sua doença, a mãe de Morgana teme que sua filha fique sozinha no mundo e, por isso, arruma logo um casamento para ela com Cai Jenckins um jovem viúvo que precisa casar para poder dar andamento aos seus negócios.

Apesar de relutar em ir embora e abandonar a mãe, Morgana logo começa a se adaptar à nova vida e a se apaixonar por Cai. Aos poucos seus poderes começam a ser notados pelas redondezas e a despertar inveja, algo ou alguém começa a agir para que a cidade inteira se vire contra Morgana, que deve tentar proteger o marido e sua nova terra.
Uma das coisas que mais me surpreendeu no livro é o fato de que Morgana não fala, mas não por deficiência e por outros motivos que vão sendo revelados no decorrer do livro, por isso, temos um romance com menos falas, mas, sem perder seu encanto, principalmente por encontrarmos uma narrativa mais descritiva que é apaixonante. Apesar da ausência de fala, outra coisa que me deixou encantada foi a relação de Morgana e Cai, o amor que acaba surgindo e se desenvolvendo entre eles é muito lindo e envolvente, já que eles têm suas formas particulares de se comunicar.

Os personagens, no geral, são bastante fortes e bem construídos, cada um com sua própria história de vida, que vai se desenrolando e arrematando as pontas da trama. A escrita da autora é bastante envolvente e super simples, o que não deixa o livro tão cansativo, apesar de conter tanta descrição.
Um dos motivos que fez o livro ser, em alguns momentos, um pouco chato é a ausência de ação. A história é mais calma e suave, podendo desagradar algumas pessoas que procuram por algo mais elétrico.
Um livro bom e que não me decepcionou. A editora acertou na diagramação, deixando passar pouquíssimos erros de digitação, quase imperceptíveis. Além disso, a capa ficou muito linda e bastante atraente.


Resenhado por:
Maria Clara Donato

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Resenha #272: Dois Irmãos - Fábio Moon & Gabriel Bá



Título: Dois Irmãos
Ilustração: Fábio Moon & Gabriel Bá
Editora: Quadrinhos na Cia.
ISBN: 9788535925586
Gênero: Quadrinhos
Edição: 1° (2015)
Páginas: 232

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RESENHA



"Dois Irmãos" é um quadrinho roteirizado e desenhado pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, publicado pelo selo de quadrinhos da Companhia das Letras em 2015, mas o enredo é totalmente baseado na obra de mesmo título do escritor manauense Milton Hatoum, que ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2001.
O enredo acompanha o drama da família de descendência libanesa que vive na Manaus - Amazônia, capital da borracha, do início do século XX. Halim e Zana são os patriarcas dessa família e deles vão nascer três filhos: Râni e os gêmeos Omar e Yaqub, dois irmãos que desde cedo compartilham a mesma aparência, a mesma família, o mesmo colégio, o mesmo amor, e uma certa aversão um ao outro.

O mais velho é boêmio e gosta de vagabundear, já o caçula, Yaqub, se mostra ser o oposto, mais tímido, estudioso e dedicado, tanto é que é capaz de se virar sozinho em certas situações, a exemplo de sua viagem ao Líbano por causa dos conflitos com o irmão.

A casa onde eles moram é ministrada pela empregada Domingas, que chegou muito jovem na família. Mais tarde ela contará com a ajuda do filho, de pai desconhecido, para contribuir nas muitas atividades do casarão. Esse rapaz terá papel fundamental na exposição dessa história. 
Na medida que vamos adentrando no enredo, as estruturas dessa família começam a ruir aos poucos, culminando em cacos do que antes era um lar. A matriarca tenta, à sua maneira, carregar nas costas tudo em sua volta, mas será que uma mãe, mesmo com todas as suas boas intenções é capaz de sustentar algo que está fadado a acabar?

Ficamos nos questionando acerca da criação humana e da forma que educamos nossos filhos de forma diferenciada entre eles. Pequenas atitudes e demonstrações de afetos com um e outro não que são refletidas ao longo do desenvolvimento tanto daquele que é negligenciado quanto do outro que é o preferido.

Para quem não leu o romance de original do Hatoum, terá em mãos, com essa HQ, uma ótima adaptação do que é seu livro. Aqui, Gabriel Bá e Fábio Moon, conseguiram não só transpor o enredo que temos em "Dois Irmãos", mas também dá vida à essas personagens de uma forma totalmente nova e diferente da que Hatoum escolheu contar, pois com os elementos visuais é possível deixar mais claro coisas que no texto escrito ficam subentendidas.

O narrador-personagem é uma das sacadas mais extraordinárias do romance e a todo instante, enquanto estamos lendo, queremos saber quem ele é. Porém, aqui no quadrinho essa curiosidade é sanada mais cedo, já que vemos de cara quem é esse ser que perambula nas sombras do casarão.

Para quem leu a obra, irá se deleitar com os quadrinhos imaginados pelos irmãos que dão luz e nos transportam para as ruas e costumes de Manaus da época. Os desenhos, embora tenha características da HQ Daytripper, consegue se diferenciar por trazer apenas a cor preta que passa uma ideia mais sombria e forte.
"Dois irmãos", essa excelente HQ , que ganhou Prêmio Eisner ("oscar" das hqs) em 2016 de melhor adaptação, só vem confirmar a força dessa história que agora é multimídia e está nos traços, no romance e nas telas.

Até logo,
Pedro Silva








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Resenha #271: Só por uma noite - Mônica e Monique Sperandio

Título: Só por uma noite
Autor: Mônica e Monique Sperandio
Editora: Novo Conceito
ISBN: B01MZ25NQA
Gênero: Ficção nacional
Edição: 1° (2016)
Páginas: 189
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Avaliação:




RESENHA


Então, minha primeira leitura em parceria com a Editora Novo Conceito foi do E-book “Só por uma noite” das brasileiras Mônica e Monique Sperandio.
O livro conta a história de quatro amigas, Sam, Nat, Marina e Daphne, elas acabaram de perder outra amiga do grupo, que deixou uma lista bastante inusitada. Durante uma única noite elas devem sair pela cidade e tentar cumprir todos os desafios da lista, no entanto, o que elas ainda não sabem é que por trás de cada um dos itens dessa lista se esconde um segredo que cada uma delas nunca teve coragem de revelar para o grupo todo e, além de uma noite cheia de desafios, essa também é uma noite que irá testa a força e o limite da amizade das meninas.

Um livro bem fofo e bastante curtinho, “Só por uma noite” nos faz refletir sobre algumas coisas, nos faz encarar a vida de outra forma e nos mostra que devemos sempre viver de maneira bastante intensa, sem deixar que os medos nos sufoquem.

Por ser um livro curto, os personagens não são tão bem desenvolvidos e a história é, em alguns momentos, bastante previsível, no entanto, não deixa de ser uma leitura fofa e leve.

“porque, tudo bem sentir medo, contanto que você tenha coragem para lutar pelo que realmente importa.”

O livro todo é narrado pela Sam, que, assim como as outras meninas, esconde muitos medos e segredos que aos poucos são revelados. A forma como o livro é escrito faz com que você não tenha vontade de larga-lo até terminar a história, que é muito envolvente.

Por ter sido fornecido pela editora em E-book, não tenho muito o que falar sobre diagramação, embora a capa tenha ficado muito linda.

Outra coisa que me chamou bastante atenção é que o livro todo é permeado por trechos de músicas, citações e momentos em que algumas músicas “tocam”, por isso, acabei tomando a liberdade de juntar todas as músicas que aparecem durante a história e colocar em uma playlist ótima e que vocês podem ouvir enquanto aproveitam o livro: Aqui.


Resenhado por
Maria Clara Donato


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{Semana Especial - Verão} Top 5: filmes para o verão

Olá, leitores.

Inspirado pelo clima de "Aconteceu Naquele Verão", coletânea de contos organizada pela Stephanie Perkins, trago para vocês uma lista com cinco indicações de filmes que remetam, de alguma forma, ao verão.

A lista, foi baseada em filmes, em sua maioria, da década de 1980 (provavelmente você já deve ter assistido a todos), isso porque os filmes são bem divertidos e podem para ser assistidos com qualquer companhia, seja família ou namorado(a). Vale lembra não está em ordem de preferência.

1. Ferias Frustradas - (1983)


A família Griswold está de férias e resolve ir para o "Walley Park", um parque temático. O pai Clark (Chevy Chase), sua esposa Ellen (Beverly D'Angelo), e os filhos Audrey (Dana Barron) e Rusty (Anthony Michael Hall) pegam a longa estrada de Chicago até a Costa Oeste. No meio do caminho, encontram com o primo Eddie (Randy Quaid) e a tia Edna (Imogene Coca), e acabam tendo que levá-la até Phoenix. Até os Griswold chegarem ao parque muitas confusões acontecem e, quando eles finalmente chegam, uma surpresa pouco agradável os surpreende.




2. Curtindo a Vida Adoidado (1986)



Ferris Bueller (Broderick) é um garoto esperto e cheio de truques que decidiu tirar um dia de folga. Ele, a namorada e um amigo inventam muitas mentiras para não irem à escola e saem pelas ruas de Chicago com a Ferrari do pai de Cameron (Alan Ruck). 

Juntos, aproveitam ao máximo o dia livre enquanto o diretor da escola e a irmã invejosa de Ferris estão atrás deles. Clássico dos adolescentes da década de 80.

3. A Lagoa Azul (1980)



Emmeline (Brooke Shields) e Richard (Christopher Atkins), duas crianças, juntamente com Paddy Button (Leo McKern), um velho marinheiro, são os únicos sobreviventes de um naufrágio numa época em que navegar era a única forma de viajar. Após ficarem à deriva por várias horas eles vão parar em uma ilha tropical que é um verdadeiro paraíso. O lugar não oferece perigo, pois não há animais selvagens, mas após algum tempo Paddy morre. Com o tempo Emmeline e Richard se tornam adolescentes e vivem em uma cabana que eles mesmos construíram. Neste período novas emoções influenciam o relacionamento deles, os dois descobrem o amor e logo Emmeline está grávida. Na noite em que o filho deles nasce Richard descobre a origem dos tambores que eles ouvem de vez em quando no "lado proibido" da ilha.



4. Elvira - A Rainha das Trevas -(1988)



Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta.  

O segundo problema é Vincent Talbot (William Morgan Sheppard), um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um "livro de receitas" que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias.



5. Edward Mãos de Tesoura (1990)


Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que acidentalmente descobre Edward (Johnny Depp), um jovem que mora sozinho em um castelo no topo de uma montanha e que na verdade foi criado por um inventor (Vincent Price), que morreu antes de dar mãos ao estranho ser, que possui apenas enormes lâminas no lugar delas.

Isto o impede de poder se aproximar dos humanos, a não ser para criar revolucionários cortes de cabelos, mas ele dá vazão à sua solidão interior ao podar a vegetação em forma de figuras ou esculpir lindas imagens no gelo. No entanto, Edward é vítima da sua inocência e, se é amado por uns, é perseguido e usado por outros.








Até logo,
Pedro Silva




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Resenha #270: Atlas de Nuvens - David Mitchell

Título: Atlas de Nuvens
Autor: David Mitchell
Título original: Cloud Atlas
Tradução: Paulo Henriques Britto
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535927580
Gênero: Ficção inglesa
Edição: 1° (2016)
Ano da obra: 2004
Páginas: 544

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RESENHA


No final de 2016, a Companhia das Letras trouxe a tradução do incrível romance de ficção cientifica "Atlas de Nuvens" do autor britânico David Mitchell. Publicado originalmente em 2004 com o título de "Cloud atlas", e adaptado para o cinema em 2012 com os atores Tom Hanks, Hugh Grant e Halle Barry, sob direção das irmãs Wachowski. No Brasil, o filme recebeu o título de "A Viagem".
"Atlas de Nuvens" possui seis histórias narradas em um tempo diferente com personagens e situações distintas. Tudo começa com um diário escrito em 1850 pelo advogado americano Adam Ewing, contando sobre a sua travessia do pacifico. Esse diário está sendo lido, em 1931, pelo jovem compositor Frobisher, o qual foi deserdado da família e fugiu sem nada para ser aprendiz de um velho musico. Enquanto isso, ele troca cartas com seu amigo e amante Rufus Sisxmith. Já em 1975, a jornalista Louisa Rey investiga uma usina nuclear que está prestes a causar uma catástrofe. Enquanto investiga e é perseguida por assassinos, ela lê as cartas que Frobisher trocava com Rufus Sisxmith. Essa aventura de Louisa Rey é registrado em um livro policial que chega às mãos de um editor já idoso e no fim de sua carreira. Devendo o pão que o diabo amassou, Timoth Caverdish, tenta fugir, mas acaba preso em um asilo. Essa desventura de Caverndish se transforma em filme, que estará nos registros do depoimento de uma jovem oriental num futuro bem distante. Por fim, num futuro pós-apocalíptico, os feitos desse depoimento ecoam e será a base para os lemas da sexta história e última história.

A complexidade da obra de David Mitchell se releva grandiosa dada a dimensão do espaço e tempo do enredo que ele criou. Temos uma linha cronológica do século XIX, passando pelos anos 1930 e 1970 dos século XX, um futuro distante e um pós-apocalíptico imaginados por uma mente brilhante. Pois só assim para conseguir não só imaginá-los, mas também uni-los de uma forma magistral, deixando o leitor concentrado em seu enredo, mesmo com a quebra das histórias, afinal é literalmente como uma boneca russa; as histórias são abertas, chegam à metade e do nada são interrompidas para à próxima narrativa. E esse recurso se repete até que ele volte fechando as histórias, cada uma por vez. 

Esse futuro retratado por David Mitchell, tem um fundamento ligado fortemente à nossa realidade e ao avanço tecnológicos. São velhos paradigmas à ética na ciência e a pergunta que fica é: até que ponto o homem pode chegar na constante busca de mais e mais?. E a forma como as histórias se ligam, nos leva a crer que um ato do passado acaba repercutindo no futuro e isso leva a uma reflexão sobre nossa existência (ou o fim dela).
Apesar de alguns finais tristes na trama, outros nos fazem acreditar num mundo melhor. Ter um panorama do passado, presente e futuro acaba nos deixando inquietos, com vontade de fazer algo para não termos o mesmo fim. É como se avançássemos tanto que fomos consumidos pela vontade do mais, tanto que o mundo pode não suportar tudo o que almejamos. Nossos atos, mesmo se tratando dos mínimos, irão reverberar ao longo do tempo, mesmo que não estejamos mais aqui para assistirmos os efeitos de nossas ações. E essa é uma das coisas mais extraordinárias da literatura; conseguir nos alertar sobres os efeitos do hoje num tempo que ainda nem existiu, com teorias muito plausíveis e que, no passado, muitos autores de ficção cientifica já imaginaram/previram. Quem sabe, alguém no futuro dirá: "David Mitchell avisou!"?

A tradução belíssima de "Atlas de Nuvens" foi feita pelo Paulo Henriques Britto, e é perceptível o cuidado na escrita, deixando cada narrativa com um estilo próprio de seu gênero e tempo. O diário de Adam possui uma escrita mais rebuscada que recupera traços coloquiais e acaba deixando a leitura um pouco mais lenta, já o livro policial de Louisa é de leitura rápida, com capítulos curtíssimos em uma trama cheia de reviravoltas (tipicas do gênero policial).

Atlas de Nuvens é um livro divertido e com uma trama espetacular que deve ser lido por todos os leitores que gostam de uma aventura inteligente para pensar em nosso futuro.

A adaptação não é uma das melhores e pode ser que deixe a desejar aos telespectadores que não leram o livro. São muitas as informações para pouco tempo (até mesmo para um filme de 2h30) e temos detalhes importantes que não recebem a devida atenção que o autor dá. No geral, é uma adaptação mediana, que surpreende mesmo com a maquiagem e atuação dos atores ao interpretarem até seis personagens.


E você, já leu "Atlas de Nuvens", ou viu o filme? Deixa nos comentários a sua resposta.

Até logo,
Pedro Silva

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{Semana Especial - Verão} Conto preferido

Olá, leitores. Tudo bem com vocês?


A coletânea de contos "Aconteceu Naquele Verão", organizada pela Stephenie Perkins traz doze ótimas histórias de amor. Mas tenho que eleger apenas uma como a minha preferida entre todas e convencer vocês a irem lê-la. 
Bem, o meu conto preferido foi "Amor é o Último Recurso", escrito pelo Jon Skovron. O narrador dessa obra, acaba nos alertando no inicio que não se trata de uma história de amor, de uma forma bem honesta e que as personagens centrais acham o amor coisa de tolos.

No enredo, temos um núcleo de personagens grande, situados em espaço pequeno: um hotel (spa), onde estão hospedados a Sr. Nalone e seu filho Vito e a dra. Elore e seu filho Franklyn. Além da dona, a srta. Ficollo, e dos funcionários Lena, Brice, Zeke e o recém contratado Arlo. Todos se ligam de alguma forma.

Vito é apaixonado por Brice, mas tem medo de sua mãe não aceitar a sua homossexualidade e decepcioná-la, já que ela vê no filho a oportunidade de um casamento de sucesso com alguma moça rica, como a srta. Ficollo. Já essa última, ama Franklyn e é correspondida por ele. Entrementes, ambos não sabem disso e temem que a paixão não seja correspondida.  Com isso, Lena e Arlo (os que não estão nem aí pro amor) agirão como cupidos, mal sabendo eles que antes mesmo de imaginarem, outros estavam tramando para cima de ambos.
Ora, mas o que tem de mais nessa obra? É que tudo é cheio de clichês, no entanto, é sãoclichês gostosos de ler. Sabemos em suma, o que vai acontecer, mas não como. A forma como Jon Skoron induz o leitor foi de uma ótima sacada, porque ele criou um narrador daqueles daqueles que enganam seu leitor, de tal maneira que quem está lendo fica com um sorriso no final do conto. 

A grande mensagem de "Amor é o Último Recurso" vai para as pessoas que acham que o amor é baboseira, inútil, fútil, quando na realidade, é ele o responsável por ligar tantas culturas diferentes e tornar nosso mundo e nossa existência mais fáceis de suportar. E se está apaixonado é tolice, que sejamos todos, "porque se formos todos tolos, talvez haja alguma sabedoria nisso que chamamos de amor." (pág. 254). E é por isso que gostei tanto desse conto, ele é simples, engraçado, mas com uma mensagem singela.

Confira a resenha do livro Aconteceu Naquele Verão clicando AQUI!

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{Semana Especial - Verão} Resenha #268: Aconteceu Naquele Verão - Stephanie Perkins

Título: Aconteceu Naquele Verão
Organização: Stephanie Perkins
Título original: Summer Days & Summer Nights
Tradução: Ana Rodrigues, Flora Pinheiro, Larissa Helena
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-510-0115-8
Gênero: Conto americano
Edição: 1° (2017)
Ano da obra: 2016
Páginas: 384

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RESENHA


Ah, o verão! Tempo de férias, tomar um sorvete, ir à praia, pegar uma corzinha e se divertir muitíssimo, seja na companhia de amigos ou familiares em dias ensolarados. Essa estação do ano é tão maravilhosa que a Stephanie Perkins organizou a coletânea "Aconteceu Naquele Verão", que reúne doze histórias de amor passadas durante esse período e escritas por autores renomados no cenário Jovem Adulto.
Por se tratar de histórias adolescentes, boa parte delas são focadas nessa transição do ensino médio para a faculdade, ou seja, vários personagens estão inseguros em relação ao seu futuro e indecisos em relação a amores que poderão não resistir a essa transição bem natural na carreira de qualquer um. 

A obra, é iniciada com o conto da Leigh Bardugo: "Cabeça, Escama, Língua, Cauda", onde uma jovem avista uma criatura estranha no lago da cidade e passa a se questionar sobre o que teria visto na companhia de um novo amigo misterioso. É um conto muito bem escrito e traz uma história que remete muito às lendas do monstro do Lago Ness.

"O Fim do Amor", de Nina LaCour, traz a história de Flora. Ela está sofrendo muito com a separação dos pais e bem descrente em relação ao amor. Para desopilar, resolve se inscrever em um curso de verão de matemática, sendo que ela já havia pagado essa disciplina. Como se não bastasse, ela acaba reencontrando Mimi, a garota por quem Flora é apaixonada. Um conto muito fofo sobre amor e restauração.

Para quem gosta de zumbis e cinema, "O Último Suspiro do Cinemorte", escrito por Libba Bray, narra a desventura de dois jovens, Dani e Kevin, que realizam a última sessão em um cinema tão antigo que está prestes a se fechar. Nesse cinema, existe uma lenda em torno de uma filme que pouco foi reproduzida por ser extremamente perigosa. É um conto cheio de mistérios.

"Prazer Doentio", de Francesca Lia Block, é um dos contos mais desconexos da coletânea, por não trazer o tipico casal que se dá bem, ao contrário disso, a autora traz um conto em que sua personagem é muito influenciada pelas amigas e acaba fazendo aquilo que se arrependerá posteriormente.

"Em noventa minutos, vá em direção ao North", Stephanie Perkins brinca com o nome de seu personagem e traz um casal de protagonistas mais maduros e que acabaram a relação, porém, muitas coisas não ficaram bem resolvidas e eles vão por tudo a limpo em uma viagem de teleférico. 
"Lembranças" de Tim Fiderle é sobre um relacionamento que já começou com data de termino marcado, tudo isso para anteceder e evitar as dores que um final traz. Apesar de triste, é um conto muito bom e aborda a homossexualidade de forma aberta.

Veronica Roth, fala muito da dor das palavras quando não ditas às pessoas que amamos e que pode ser tarde demais se não formos rápidos em demonstrar o que sentimos,  no conto "Inércia".

"Amor é o Último Recurso", de Jon Skovron contém uma das melhores histórias desse livro, isso porque se passa em uma espécie de spar com os personagens centrais descrentes no amor. É aquela história cheia de clichês e confusões, mas que acaba sendo gostosa de se ler. Além disso, o autor soube como trabalhar perfeitamente os personagens secundários, fazendo deles, memoráveis.

"Boa Sorte e Adeus", de Brandy Colbert, a personagem central terá que lidar com a partida da prima para outra cidade. Mas é aí que ela vai aprender que partidas podem também significar novas chegadas, sendo apenas preciso está  aberto para novas descobertas. 

O conto da Cassandra Clare, "Nova Atração", foi surpreendente. Tudo se passa em um parque de diversões comandado por Lulu, uma garota que sofre ainda com a ausência do pai que sumiu sem explicações. O local é permeado por mistérios e um demônio (do bem) que dá vida ao parque. Mas tudo passa a mudar quando um tio da menina aparece com planos terríveis e gananciosos. Lutas de demônios, espelhos mágicos, magia e romance recheiam esse conto.

Jonnifer E. Smith, em seu "Mil Maneiras de Tudo isso dar errado", trará matemáticas (a autora deve ter sido uma nerd daquelas), muitas crianças, jogos e o casal Annie e Griffin, que terão que fazer de tudo para ficar juntos.

Por fim, quem fecha a coletânea com muito esplendor é o Lev Grosman com seu conto "O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas". Na história, um garoto fica preso do dia 4 de agosto, onde todas as manhãs é o mesmo dia e tudo acontece da mesma forma. Exceto com ele que consegue perceber o loop infinito. Sem saber o que está acontecendo e achando-se sem saiba, ele se propõe a é ler todos os livros da biblioteca, até que Margaret aparece e juntos vão buscar uma forma de descobrir o que está realmente acontecendo com o mundo.
"Aconteceu Naquele Verão" consegue ter umas histórias muito bem sacadas e escritas. Os enredos são realmente fantásticos e nos transportam para esse clima gostoso do verão. O livro com certeza cumpre a sua proposta de trazer histórias descontraídas que vão agradar ao publico alvo.

O único pecado é ter que se limitar à histórias de amor (embora algumas, creio eu, vá além da história de amor). Limitar a histórias de amor, torna algumas histórias forçadas e isso acaba não convencendo o leitor já que as paixões acontecem de uma forma muito rápida. No entanto, autores como Tim Fiderle trabalham ideias plausíveis, já que fogem à regra de amores infinitos.

Dada a complexidade de alguns enredo, arriscaria que os autores poderiam se aprofundar ainda mais em suas histórias e torná-las maiores até. A Stephanie Perking fez isso, já que seu conto é uma sequencia do publicado na coletânea "O presente do meu grande amor".

Um grande destaque do livro é a diversidade de cor, orientação sexual e classe trabalhados, dando uma maior visibilidade no publico jovem.

Por fim, para quem curte boas histórias, "Aconteceu Naquele Verão" carrega doze enredos que irão agradar aos leitores apaixonados, e até mesmo aqueles de coração gelado. Deixe o verão quebrar esse gelo. ♥

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #267: Dupla Exposição - Paloma Vidal & Elisa Pessoa


Título: Dupla Exposição
Autor: Paloma Vidal & Elisa Pessoa
Editora: Rocco ( Selo Anfiteatro)
Edição: 1
ISBN: 9788569474104
Gênero: Contos - ficção nacional
Ano: 2016
Páginas: 104
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Resenha


Dupla Exposição, publicado pelo selo Anfiteatro da editora Rocco, é um livro um tanto diferente por sua proposta de trazer textos da autora Paloma Vidal combinando com as fotografias de Elisa Pessoa, ressignificando as estruturas de uma obra na mescla de diferentes linguagens.
Na parte escrita, o texto possui uma poesia bonita e com narrativas curtas, que em sua maioria vão falar de mulheres, mulheres estrangeiras, mães, relação de mãe e filho e até mesmo do relacionamento entre Marianne Moore com Elizabeth Bishop em uma analise de um depoimento da poeta, além de uma copilação de dez exercícios de escrita como se fossem microcontos. 

No total são dez textos carregados de imagens em dupla exposição. Essas imagens são cheias de ambiguidades, e podem tanto decepcionar o leitor que buscar uma ligação muito direta quanto satisfazer aqueles que têm uma percepção mais sensível e consegue enxergar algo além do não dito nas fotografias. 
Dupla Exposição é uma obra diferente, e isso pode causar um certo estranhamento a quem não está acostumado a esse tipo de leitura, pois as histórias narradas não são tão fantásticas e muito menos de outro mundo, pelo contrário, os temas abordados são bem simples, porém, tocados de uma forma singela e bonita. 
Creio que o maior proposito dessa obra, é faze o leitor pensar fora da caixa e não com sua "cabeça", que se demora nas coisas pequenas e acaba aproveitando mais seus momentos de vida, mesmo que seja uma coisa bem pequena e muito comum. É olhar para o exterior e ver que tem coisas acontecendo a nossa volta, independente de onde estamos e que, se quisermos, até conseguimos transformar tudo isso em literatura de forma magistral.

Até logo,
Pedro Silva

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Sábado com Desventuras em Série #9: O Espetáculo Carnívoro - Lemony Snicket

Título: O Espetáculo Carnívoro
Autor: Lemony Snicket
Ilustração: Brett Helquist
Tradução: Ricardo Gouveia
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Edição: 1
ISBN: 9788535905243
Gênero: Ficção / Aventura / Juvenil
Ano: 2004
Páginas: 240
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RESENHA


O nono livro da saga Desventuras em Série se inicia com os irmãos Baudelaire escondidos dentro porta-malas do carro do conde Olaf fugindo do Hospital Heimlich e acabam sendo levados ao Parque Caligari, comandado pela madame Lulu, uma vidente com um sotaque forte igual ao de Gunther, no livro O Elevador Ersatz e foi ela a responsável por ajudar o conde Olaf a encontrar as crianças em todas as vezes.
Como eles estão no Sertão, não para onde as crianças fugirem e com medo de que a madame Lulu denuncie mais uma vez as suas localização, os irmãos Klaus, Violet e Sunny resolvem se fantasiar de criaturas bizarras para trabalhar na Casa dos Monstros, onde eles conhecem as três aberrações que já trabalham no local: Hugo, um corcunda, Colette, contorcionista, e Kevin, ambidestro. Tudo com a finalidade de despistar seus inimigos e arranjar uma forma de fugir do lugar. A principio as coisas vão dando certo, no entanto, mesmo que sem o Olaf saber, acabar transformando a existência das crianças sofridas naquele local. Será que os irmãos vão conseguir arranjar uma forma de contornar a situação? 

Nesse livro, já percebemos as complicações dos irmãos tomando outras formas e o autor nos prepara para o fim da história. Isso porque as pistas que ele está dando estão cada vez mais grandes e formando o grande mosaico através de todas que já obtivemos ao longo da série.

Aqui há uma critica forte as diferenças e ao preconceito que o mundo tem com aqueles que possuem suas peculiaridades. O autor consegue nos mostrar, de forma bem irônica, como uma palavra, olhar e julgamento podem afetar a existência de uma pessoa que nasceu conforme ela é e que por isso não tem culpa de suas diferenças. Além disso, é mais contraditório vermos criaturas "bizarras" julgando outras quando elas mesmas possuem as suas diferenças.
Outra critica bastante forte, e isso não é só nesse livro é a questão do jornalismo sensacionalista e do fervor do publico ao consumir uma notícia sanguinolenta e cheia de mazelas, representado bem pela personagem Geraldine Julienne, do jornal O Pundonor Diário. Esse paralelo com o mundo real é muito presente quando ligamos a televisão nos jornais diários que buscam avidamente pela audiência, sem confirmar as informações e suas fontes, transmitindo uma notícia sem credibilidade alguma.

"O Espetáculo Carnívoro" consegue nos prender do inicio ao fim. E que final! Creio que foi o dos finais mais alucinante de toda a série e está sendo muito difícil escrever essa resenha me contendo para não começar logo o decimo livro. 

Algumas referências:

O desfiladeiro de Plath, localizado nas Montanhas de Mão-Morta pode ser uma referência a escritora americana Sylvia Plath.
O personagem chamado Hugo é corcunda e seu nome pode ser uma alusão ao romancista Victor Hugo e uma de suas obras O Corcunda de Notre-Dame.

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #265: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto - Jonathan Safran Foer

Título: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto
Autor: Jonathan Safran Foer
Tradutor: Daniel Galera
Editora: Rocco
Edição: 1
ISBN: 8532520561
Gênero: Romance Estrangeiro
Ano: 2006
Páginas: 392

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RESENHA


Jonathan Safran Foer é um autor americano nascido em Washington - DC, com descendência judia. Ele é popularmente conhecido pelos seus romances Tudo Se Ilumina (Rocco, 2002) e Extremamente alto & incrivelmente perto (Rocco, 2006). Além do livro de não-ficção intitulado Comer Animais (Rocco, 2009). Suas duas obras de ficção ganharam adaptações cinematográfica alçando ainda mais a carreira do escritor. 
Em Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, o autor nos traz o pequeno Oskar Schell, uma criança que possui inúmeros sonhos e metas. Ele é muito autodidata e se declara inventor, desenhista, fabricante de joias, percussionista, astrônomo, arqueólogo amador, consultor de informática e colecionador de alguns objetos. Com apenas 9 anos, Oskar tem todos os sonhos do mundo e ao mesmo tempo sofre ainda com a ausência do pai, Thomas, que morreu no trágico ataques terrorista às Torres Gêmeas em de 11 de setembro de 2001. O filho possuía uma relação muito próxima com  pai e era influenciado positivamente com uma crianção que restringia o uso da televisão, mas que ao mesmo tempo trazia um contato mais próximo com a leitura de jornais e atividades envolvendo o mundo exterior como ir ao Central Park explorar e procurar pistas de mistérios imaginados. Com a morte do pai, ficou um vazio em Oskar e a dor por não ter o pai presente.

Em um dia, Oskar encontra dentro de um vaso no armário de seu pai, uma chave em um envelope com a palavra "Black". Ele passa a crer que se encontrar a verdadeira fechadura da chave, acabará solucionando todas as questões não resolvidas do seu pai. Com as respostas ele quer acalentar o sofrimento que carrega e assim, inicia sua jornada consultando todas as pessoas da lista telefônica de Nova Iorke que possuem o sobrenome "Black".
Como se não bastasse esse enredo que daria um bom romance pro si só, Safran Foer ainda introduz outras questões ao longo da narrativa que acabam intercalando-se com a triste e bela origem da família Schell, a partir dos avós de Oskar. Assim, o autor traz algumas vozes narrativas, cada uma contando seu lado da história em momentos oportunos do livro e com a busca do garoto, acabamos sendo apresentados a vários personagens da cidade e um leque de histórias se abre para o leitor.

Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é um livro muito lindo e bem escrito. A sua grande mensagem está na nossa busca por entendermos a dor e sofrimento que passamos. O que é natural, principalmente para crianças que não têm uma dimensão tão grande de mundo e, às vezes, a busca por respostas acabam trazendo novas perspectivas e novas motivações para continuarmos a viver, mesmo com a ausência de quem tanto amamos.

Os personagens são construídos de uma forma tão bem explorada que acabam se tornando muito humanos e reais. Isso porque temos uma grande preocupação em que haja não só a história atual de um determinado personagem do livro, mas o autor consegue dar vida através da carga histórica que eles carregam. Seja um relacionamento que não funcionou, a ausência da palavra falada ou as feridas trazidas da guerra. Ler Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é se envolver com esses personagens e com essa história a ponto de nos sentirmos introduzidos nela e isso só grandes autores conseguem realizar.
A obra física é rica em detalhes gráficos com ilustrações, palavras circuladas, fotografias e alguns detalhes em seu texto que causam grande impacto no leitor, tanto de intrigamento quanto de estranhamento, sendo uma ótima experimentação.

Recomendo fortemente a leitura desse romance por ter uma sensibilidade indescritível e uma história poderosa. Aqui não temos um dramalhão para lhe fazer chorar por chorar, porque o choro, se vier, é mais verossímil por ser tratado de maneira delicada e madura e nos toca pois o autor transmite a sua visão do luto naturalmente como o olhar de uma criança. É um livro para rir, chorar, "fazer roxos" em si mesmo e refletir sobre a família e as tragedias que os conflitos do homem (como guerras e atentados) trazem.

Certamente, entrou para a lista de melhores leituras da vida. 

Até logo,
Pedro Silva

1

Resenha #264: Rio-Paris- Rio - Luciana Hidalgo

Título: Rio-Paris- Rio
Autor: Luciana Hidalgo
Editora: Rocco
Edição: 1
ISBN: 978-85-325-2989-3
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 160

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Resenha


A escritora carioca Luciana Hidalgo, que já vem colecionando Jabutis pela biografia Arthur Bispo do Rosário – O senhor do labirinto (Rocco, 1996/2011) e por Literatura da urgência – Lima Barreto no domínio da loucura (ed. Annablume, 2007), lançou recentemente seu novo romance intitulado Rio-Paris-Rio.
A obra, narrada em terceira pessoa, vai acompanhar a vida do casal Maria e Arthur, dois jovens que se conhecem e se apaixonam na Paris da década de 1968 com o fervor da ditadura militar no Brasil e o movimento de Maio de 68 na França, incendiado por protestos estudantis pedindo reforma no setor educacional. Logo os dois se apaixonam e compartilham tanto uma relação de experiencias intensas quanto a de se sentir estrangeiro fora de casa.

Maria é estudante de filosofia na Sorbonne, em Paris, uma das mais renomadas universidades do mundo e Arthur, artista de rua, escreve poemas. Diz ele ter um livro de poemas em construnção, mas ainda não está preparado para mostra ao mundo (ou a Maria, que desacredita na existência do livro). Juntos, eles vão participar dos conflitos e grandes debates com amigos de algumas partes do mundo, como o português José e a amiga francesa Martine, que estão engajados nos protestos

Maria e Arthur são exilados em um país que não lhe pertencem e se sentem estrangeiros não por estarem fora do Brasil, mas sim porque se sentem intrusos naquele local que retira a liberdade que há em ser livre no pais natal. Sem poder voltar ao Brasil por causa da intervenção e repreensão militar e ao mesmo tempo escondendo segredos sobre  o passado no  Brasil que poderão ser decisivos no futuro da relação do casal.
A primeiro coisa que devemos destacar nessa obra, é o estilo divino da autora em escrever um texto cuidado e bonito, sendo mais descritivo e com poucos diálogos, embora precisos e no momento adequado. É uma prosa extremamente poética. Essa construção pode tornar a leitura mais lenta, não por ser um livro chato e sim porque a tendência é degustar as palavras da autora e é como diz o narrador da obra nessa passagem do livro: "Talvez a boa literatura não preste a viagens rápidas" (p. 109).

Os personagens de Luciana Hidalgo são envolventes. Maria é construída de uma forma muito sensível. Ela consegue enxergar detalhes despercebidos à sua volta e é retratada como uma mulher de personalidade forte e inteligente, mas na mesma medida ela consegue ser uma mulher simples se contentando em estar no seu pequeno quarto, que para ela tem toda a simetria e perfeição que espera do mundo ao som de Alegria, Alegria de Caetano. Já Arthur é um homem poético com seu jeito original, pouco convencional, que acaba encantando Maria.
Um romance único e com um pano de fundo histórico necessário de ser lido, lembrado e que nos coloca tanto no lugar dos personagens no passado, naquele regime, quanto nos abre os olhos para os dias de hoje, onde ,cada vez mais, a história parece se repetir, de uma forma diferente, mas com os mesmo absurdos que assombram e insistem em voltar.

Até logo,
Pedro Silva.