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Resenha #104: Estação Onze - Emily St. John Mandel

Lido em: Julho de 2015
Título: Estação Onze
Autor: Emily St. John Mandel
Editora: Intrínseca
Gênero: Distopia
Ano: 2015
Páginas: 318

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Avaliação:
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Resenha:

Depois do grande sucesso – e alguns fracassos – que foram as distopias, eu resolvi parar um pouco de ler o estilo pelo simples fato de que as histórias estavam começando a ficar muito repetitivas e sem emoção. Após um ano sem ler nada no estilo, resolvi me render ao novo lançamento da Editora Intrínseca, Estação Onze, o quarto romance da canadense Emily St. John e confesso que estou maravilhada com o livro.

O livro narra a história de alguns personagens que, à primeira vista, parecem ser bastante aleatórios, mas que começam a se conectar das maneiras mais inesperadas possíveis.

 Arthur Leander é um ator de meia idade, sempre alvo dos paparazzis e da mídia no geral, possui um histórico de três divórcios e um filho que mora em Israel, o ator morre no meio do teatro durante uma apresentação da peça  Rei Lear; Jeevan é um ex-paparazzi que perseguia Arthur e suas ex-esposas, mas decide virar socorrista, ele é o primeiro a subir ao palco e tentar ajudar Arthur durante seu ataque cardíaco; Kirsten é uma atriz mirim que representa uma das filhas de Arthur na peça e que permanece no palco após a morte do ator; Miranda é primeira esposa de Arthur; e ainda temos a presença de um misterioso profeta. 


Antes de mais nada devo avisar que não tem nenhum spoiler no que eu acabei de falar, tudo isso acontece ainda no primeiro capítulo. A história realmente começa após todos já terem saído do teatro depois da morte de Arthur. Nessa mesma noite, uma mutação do vírus da gripe suína começa a se espalhar no mundo. A doença chamada de Gripe da Georgia, possui uma taxa de 99% de mortalidade e se espalha rapidamente pelo mundo dando início à extinção da raça humana.
Menos de uma semana depois do início da epidemia a população mundial está praticamente desintegrada. 

Após vinte anos da epidemia, o mundo se tornou um lugar quase vazio. Não existe energia elétrica, água encanada, combustíveis, internet, nenhum tipo de tecnologia, absolutamente nada. No meios desse vazio, um grupo de sobreviventes se uniu para formar a Sinfonia Itinerante, que reúne uma pequena orquestra e uma trupe de teatro que viaja em trailers, interpretando peças de Shakespeare nas comunidades sobreviventes. 


Se o inferno são os outros, o que é um mundo onde não há quase ninguém? (...) Tantas espécies haviam aparecido e depois sumido desta terra, que diferença faria mais uma? Quantas pessoas restavam agora?

A narrativa do livro alterna em um interessante jogo entre o passado e o presente, cheio de flashes da vida dessas pessoas antes da epidemia e tudo o que desencadeou a situação atual, apresentando cada vez mais ligações inesperadas entre os personagens.

Imagem retirada da internet

O que mais me chama atenção na narrativa é que a autora faz com que você imagine que o mundo em que vivemos hoje, com todas as suas tecnologias e facilidades é praticamente uma ficção científica. Realmente, após estarmos inseridos no contexto do livro é difícil acreditar que houve um tempo em que grandes pássaros de metal podiam transportar as pessoas rapidamente através de oceanos, que haviam pequenas máquinas que podiam te conectar à qualquer pessoa no mundo e que com apenas um clique você poderia ligar lâmpadas e iluminar um lugar inteiro. Isso nos leva a refletir como a nossa vida é repleta de tantas facilidades e como quase nunca damos o devido valor à essas coisas.

A leitura do livro é impressionante, a linguagem da autora é muito simples e, ao mesmo tempo, é extremamente bem elaborada. Os personagens são muito bem construídos e estruturados, com personalidades distintas e fascinantes. A autora elaborou uma história incrivelmente perfeita, que liga todos os personagens descritos de uma maneira incrível e inesperada. Devo confessar que esse livro superou toda e qualquer expectativa que eu tinha.


A diagramação do livro está perfeita, apesar da Intrínseca ter começado a diminuir consideravelmente a fonte da letra nos livros, mas, ainda assim, o tamanho continua em um formato confortável, a folha é amarelinha e tudo contribuí para uma leitura muito agradável. Além da capa ter ficado muito incrível, ela tem uma textura áspera muito legal que deu um toque especial ao livro.
A história é super envolvente e vai prender vocês desde o início da leitura até o fim, deixando um ótimo gostinho de quero mais. 

Até mais!
Maria Clara Donato.

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