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Resenha #302: A Bagaceira - José Américo de Almeida


Título: A Bagaceira
Autor: José Américo de Almeida
Editora: José Olympio
Edição 45ª
ISBN: 9788503013116
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2017
Páginas: 278


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RESENHA


Para escapar de uma seca muito forte no ano de 1989, os retirantes sertanejos Valetim, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga, deixam a fazenda do Bondó, em direção ao Rejó. Lá, são convidados, por Dagoberto Maçau a viver no seu engenho Marzagão. Lucio, filho de Dagoberto passa suas férias do engenho do pai e acaba conhecendo a jovem Soledade por quem logo se apaixona. Mas o rapaz logo volta para Recife, a fim de continuar os estudos em Direito e em sua ausência Dagoberto seduz a moça com quem começa ter um caso. Assim se desenvolve uma história trágica em meio a reprodução da seca, onde a bela Soledade, jovem que chama a atenção dos homens, passa a ser o centro dos conflitos entre os os personagens.

José Américo de Almeida (1887-1980), influenciado pela semana de arte moderna, queria que o nordeste participasse dessa corrente, por isso, em 1928 publicou este livro fruto desse desejo. No mesmo ano recebeu quatro edições e foi traduzidos para outros idiomas ao longo dos anos. Hoje, em sua 45° edição, a obra ambientada entre o final do século XIX e inicio do XX. prenunciou o chamado romance de 30, o romance regionalista (de autores como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Amado), e suas características. A edição ainda traz uma introdução minuciosa de M. Calvalcanti Proença.

Sua narrativa possui uma linguagem clássica, com requisito do parnasianismo, e cheia de lirismo. Os traços regionalistas torna o texto mais poético. Há uma infinidade de palavras pouco usuais, muitas delas fazem parte da cultura popular nordestina, o que mostra um forte conhecimento do autor no linguajar da época. Para o leitor do presente, isso pode trazer uma dificuldade e a necessidade de consultar o glossário ao final do livro. Porém, o autor consegue ser leve e doce. 

José Américo também discorre sobre as questões sociais,, num clima de violência, e diferenças entre os sertanejos e brejeiros por causa da seca. Isso se dá pela sua atuação como politico, advogado, ensaísta, professor universitário, folclorista e sociólogo.

O título do romance remete ao local no engenho em que se juntam os bagaços da cana-de-açúcar, no entanto, também pode ser interpretado como às vítimas das secas que sofrem e ficam despedaçados com tamanho sofrimento.
Para quem deseja um mergulho no coração da região rural do Nordeste brasileiro, A Bagaceira é uma importantíssima leitura que mostra a realidade da seca no Sertão paraibano. Proveitosa, mas que não é fácil.

Um comentário:

  1. Muito Bom! Li esse livro por indicação da COPERVE (não sei se é assim que se escreve) pro vestibular... li na obrigação...
    Depois de tanto tempo rever a resenha me deu vontade de ler por prazer...
    Obrigada!
    Um abração

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