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Resenha #118: A Linha Azul - Ingrid Betancourt

Lido em: Novembro de 2015
Título: A Linha Azul
Subtitulo: Um Romance
Autora: Ingrid Betancourt
Editora: Alfaguara
ISBN: 9788579624261
Ano: 2015
Páginas: 280
Tradução: Julia da Rosa Simões
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Avaliação Pessoal:






RESENHA


A Linha Azul, publicado pela Alfaguara Brasil em setembro de 2015, da escritora colombiana Ingrid Betancourt, se passa em dois tempos. Primeiro na Argentina da década de 1970, tratando aqui o período da ditadura militar através de dois personagens que se envolvem num relacionamento amoroso e no combate ao regime militar juntamente com a organização política chamada de Montoneros e num momento presente (meados de 2006).


Julia é a personagem feminina que toma grande parte da obra. Aos cinco anos de idade ela descobre, por meio de sua avó Nona Fina, que havia nascido com um dom que é passado de geração para geração do qual, como uma espécie de terceiro olho, recebia visões dos acontecimentos futuros. É através disso que ela consegue salvar sua irmã de se afogar no mar. Em sua adolescência, aos 15 anos, ela conhece Theo D'uccello, um rapaz de esquerda, universitário que lia de tudo e tinha uma opinião formada sobre qualquer assunto, apresentando seu pensamento de forma convincente mesmo quando não tinha domínio sobre o que falava. É através do irmão de Theo, Gabriel (cinco anos mais velho) que eles se envolvem em questões politicas e, já casada e grávida, Julia e os demais são sequestrados, separados e cruelmente torturados pelos militares. Tempos depois eles conseguem fugir, mas Julia terá de passar anos em busca do seu esposo refugiada na França.

Logo no primeiro capítulo, somos apresentados à uma visão que Julia presencia: ela enxerga uma moça asiática se arrumando antes de sair de um quarto de hotel. Mas Julia não faz ideia de quem é a moça e nem quem está na cama olhando a jovem sair. Ao reencontrar o esposo, Julia tem a chance de reconstruir o que a ditadura desuniu, correndo o risco de, como um vaso quebrado, nunca mais ser o mesmo.


Primoroso é a palavra que uso para definir a obra que Ingrid Betancourt escreveu. Ela usa a experiência de vida política para escrever uma história que envolve conflitos femininos, casamento, amor e o período de ditadura militar na Argentina, além disso, coloca um pouco de realismo mágico para a trama que trazem uma sensibilidade ímpar, apesar de não ser algo muito de outro mundo e nem tão pouco exagerado, fica sendo apenas um detalhe para a grandiosidade da obra que por seu cenário histórico bem contextualizado enche a mente do leito com informações verdadeiras em meio a sua ficção. A narrativa é em terceira pessoa, dando foco a Julia, embora passe momentos descrevendo outros personagens.

Um leitura de fácil entendimento e rápida e sem ser muito enrolada, a autora consegue ser bem enxuta na escolha das palavras. Por ser um livro de vai-e-vem, onde a autora brinca com o tempo, boa parte da trama a gente toma conhecimento já nos primeiros capítulos, mas o que nos deixa sedento por mais é saber como realmente culminou naquilo.


É um ótimo livro para quem deseja conhecer esse período do golpe de estado que levou Jorge Videla ao poder na Argentina e como se passa em dois tempos, é explorado as consequências de uma ditadura militar: milhares de pessoas que até hoje morreram em locais de torturas e que nunca tiveram ou suas identidades reveladas ou os corpos encontrados; famílias desestruturadas; mães com filhos roubados logo ao colocá-los no mundo; vítimas que até hoje sofrem e temem andar na rua com medo de passar por algo semelhante novamente.

Sobre a diagramação, muitos reclamaram sobre a Alfaguara ter mudado o projeto padrão de capa que eles tinham, mas confesso que sou indiferente à isso. Gostei da fonte de tamanho super agradável, a cor em tom de azul que eles usaram é linda e só tenho a reclamar do material usado na capa, que apesar da estética bonita, não é tão resistente. A ilustração da capa seria da personagem Julia, e é de uma artista chamada Anita Rundless que faz desenhos lindos e delicados.

Até logo!

Um comentário:

  1. Oi, Pedro!
    Fiquei muito interessado nessa história, principalmente porque não costumo ler livros assim.
    Deve ter sido uma experiência interessante conhecer mais sobre o ambiente histórico apresentado.
    Vou colocar na lista.

    Até mais,
    http://entreserieselivros.blogspot.com.br/

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