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Resenha #327: Cenas Londrinas - Virginia Woolf

Título: CenasLondrinas
Autor: Virginia Woolf
Título original: The London Scene (1975)
Tradução: Myriam Campello
Editora: José Olympio
Edição: 1
ISBN: 9788503013123
Gênero: Crônicas ingleas
Ano: 2017
Páginas: 94

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Resenha



     Cenas Londrinas é mais um título que fazia (ou faz) parte da coleção Sabor Literário, publicada em meados de 2006 pela editora José Olympio em um projeto editoral padrão, sendo os títulos pequenas perolas inéditos ou esquecidos de grandes nomes da literatura mundial para degustação dos leitores. Com a nova fase do selo do Grupo Editorial Record, essas obras vem ganhando novas roupagens, mais modernas, claro, mas sem deixar de ter um toque vintage que está em alta ultimamente.
   
 Na obra, a autora britânica Virginia Woolf passeia pelos ambientes da grande Londres e relata através de crônicas  — produzidas entre 1931 e 1932  — as suas experiências e causos da cidade em um passagens bem descritivas que nos dão um panorama completo Londres da década de 1930, servindo também como como uma guia turístico nos orientar na cidade.

     A começar pelo cenário romântico das Docas de Londres (local de comercio bruto), passando pela Oxford Street (comércio mais refinado), às casas ilustres de grandes nomes como Thomas Carlyle, Jane Welsh w Helen, nos revelando o quão as arquiteturas desses lugares dizem muito sobre o povo que ali vive/viveu e como isso influenciou na personalidade das mesmas. Continuando, ela segue pelas duas catedrais que chamam a atenção de qualquer um que vá a Londres: Abadia de Westminster e Catedral de Saint Paul; Sendo para a autora a primeira "brilhante assembléia de homens e mulheres da mais alta distinção" e a segunda uma "confusão democrática da rua". Em "Esta é a câmara dos comuns", descreve com desgosto os parlamentares fazerem perguntas ao primeiro-ministro e outros membros do governo. Para finalizar, o sexto e último texto está mais para conto do que crônica, e traz o que seria uma senhora da classe média legitimamente londrina, que obedece as convenções e é bisbilhota a vida alheia.
     A impressão que fica, após ler essa obra, é a de que Virginia Woolf era uma mulher que se atentava aos pequenos detalhes e conseguia enxergar as coisas além do obvio. Há sempre um toque crítico da autora em suas observações, algumas alfinetadas que podemos trazer para contextos mais atuais, mesmo o livro sendo escrito em outra época e lugar. E mesmo quando parece está falando de lugares, volta-se ao desejo interior do humano.

"Nenhum só produto ou dejeto da terra, entre a miríade existente, deixou de ser testado e aplicado a algum uso possível. [...] O comércio nos observa ansiosamente para ver quais novos desejos começamos a desenvolver, que novas aversões." (P. 29-33)
     Para quem gosta de livros que falam de cidades, ou até mesmo os amantes da autora, é uma obra imprescindível para conhecermos tanto sua escrita quanto os lugares mais pontuais da capital inglesa. Os textos são simples, porém, conseguem envolver e nos prender na leitura. A unica falha desta edição é não trazer imagens dos lugares ou figuras mencionadas, isso incrementaria ainda mais a leitura da obra, que traz prefácio de Ivo Barroso e, ao fim, índice de pessoas e lugares.

Até logo,
Pedro Silva!

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