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Resenha #309: Um amor incômodo - Elena Ferrante

Título: Um amor incômodo
Autor: Elena Ferrante
Título original: L'amore molesto (1999)
Tradução: Marcello Lin
Editora: Intrínseca
Edição: 1
ISBN: 978-85-510-0138-7
Gênero: Romance italiano
Ano: 2017
Páginas: 176

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Avaliação: 



RESENHA


Delia, aos quarenta e cinco anos, recebe a notícia de que sua mãe se afogou numa uma praia em circunstancias estranhas. A notícia faz com que a mulher volte a sua terra natal, Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe e revisitar memórias de um passado que insiste em atormentá-la. Sua mãe (Amalia), costureira divorciada de seu pai, sempre fora uma mulher pouco vaidosa. No casamento, teve um caso com um fetichista que causava rebuliços em sua residência, onde o marido a espancava e a tratava mal. Era daqueles homens que não admitia que nenhum homem a visse, por outro lado, fazia pinturas de mulheres nuas para venda inspiradas na esposa. Assim, na companha da Delia, com sua visão turva dos acontecimentos, tentando compreender o que acontecera, vamos sendo apresentados a uma história intensa e ao mesmo tempo cheia de tensão, onde telefonemas e encontros vão revelando os meandros acerca dos últimos dias de vida de Amalia. 


Publicado originalmente em 1999, 'Um amor incômodo'  é o primeiro romance da autora italiana Elenna Ferrante. As problemáticas abordadas por ela neste seu livro são precursoras e fundamentais para os romances futuros, que de certo modo acabam trabalhando os mesmo temas: mulheres, maternidade, casamento, violência domestica etc. Porém, em um contexto diferente; de mãe e filha perante a morte. Por meio desta obra, ela nos apresenta a sua visão, mas de uma maneira crua e pouco moldada, num romance curto, pouco polido e enxuto.

Com Delia, narradora do romance, conhecemos uma história carregada de emoção psicológica, cheia de passagens alucinógenas e desconexas sob olhar de uma filha que perdeu a mãe em uma noite de maio afogada na praia. Mas não é uma tristeza que cai sobre ela, mas uma condição que nos lembra o sentimento apático do personagem Meursault (do livro O Estrangeiro, de Albert Camus). O estado psicológico em que Delia se encontra é extremamente refletido em seu olhar turvo do mundo a sua volta; carregada de estresse e em busca de explicações para a morte de sua mãe, sem contar o trauma da infância que carrega e a experiência dentro de um lar onde o pai e a mãe viviam em conflitos por causa de um fetichista. 
A infância tem um papel grande no entendimento da obra, Delia se sentia diferente das outras crianças que berravam e faziam birra. "A infância é uma fábrica de mentiras que perduram no imperfeito: a minha, pelo menos, havia sido assim." (p. 161), da mesma forma que sentia uma repulsa por sua mãe e um temor de se tornar ela, mesmo quando os trejeitos, aparência e sua personalidade remetessem a Amalia; de certo modo uma fuga sem saída. Essa relação conturbada de mãe e filha é tema recorrente na escrita da autora, como é possível enxergar em A Filha Perdida (resenha aqui).

Não é um romance divertido, nem fácil de leitura. Ferrante não trabalha com entretenimento, por outro lado, ela traz papeis sociais, com foco na mulher e sua posição no mundo assim como as limitações inerente ao gênero. Duas mulheres, livres, mas que tinham dois homens violentos, machistas, tentando a todo custo controlar as formas que elas deviam ou não seguir as suas vidas, controlar seus desejos e vivencias, mas que no fim, não chegaram a fazer tanto enfeito quanto achavam.
'Um amor incômodo' Não é Elena Ferrante é sua melhor forma, entrementes, não deixa de ser Ferrante.

Até logo,
Pedro Silva

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