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Resenha #292: Payback - Margarret Atwood


Título: Payback
Autor: Margaret Atwood
Tradutor: André Costa
Editora: Rocco
Edição: 1
ISBN: 978-85-325-2477-5
Gênero: Não-ficção
Ano: 2008
Páginas: 192

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Avaliação:  



RESENHA


Outro dia resenhei aqui uma coletânea de contos maravilhosa da autora canadense Margaret Atwood, intitulada 'Dicas da Imensidão' (confira a resenha aqui) e foi uma leitura muito prazerosa. Hoje, fugindo um pouco da ficção (mais nem tanto), trago a resenha de 'Payback', um livro de não-ficção que tem como subtítulo: "A Dívida e o Lado Sombrio da Riqueza".

'Payback' vai analisar um dos temas que mais assombra a sociedade desde tempos antigos: a dívida e suas consequências. Para realizar isso, a autora se vale de vários casos da literatura para exemplificar e estruturar sua obra, sendo um dos casos principais o de Ebenezer Scrooge, o avarento do livro 'Conto de Natal' escrito por Charles Dickens e que serviu de inspiração para o Tio Patinhas. Além da literatura, a autora passa pela religião e pelos mitos antigos.

A obra é dividida em cinco partes. A primeira se chama "Antigas Balanças", onde a autora aborda a equidade, o equilíbrio e a justiça, mostrando que isso é algo muito antigo e com origens pré-humanas. Ela usa um exemplo com chimpanzés que pode comprovar isso porque são animais que possuem opiniões sobre a taxa de câmbio justo e divisão de bens. Defende também a ideia de que devedor e credor são dois lados de uma entidade única, onde um não pode existir sem o outro e que essa troca tende a um equilíbrio (sabendo que nem toda dívida é de dinheiro). Na segunda parte, "Dívida e Pecado" explora-se a relação entre dívida e pecado; o que é pior: ser devedor ou credor? Também analisa-se a ligação entre dívida e contrato escrito e dívida e memória ("compre agora, pague depois"). No terceiro capítulo, "A Dívida Como Trama" a autora traz grandes exemplos da literatura com livros e autores que abordaram o tema da dívida em suas obras. "O Lado Sombrio" é a quarta parte, e traz uma área em que o dinheiro não se aplica. A vingança; prisões para devedores; rebeliões contra governantes que cobram impostos altos e injustos e assassinatos de credores. No último capítulo que dá título ao livro, "Payback", Atwood analisa a questão da dívida com a natureza. Este é um capítulo com tamanho poder que faz o leitor pensar sobre a dívida que todos nós devemos à terra e ao nosso meio-ambiente.
Apesar de ser um livro escrito há um certo tempo, a autora consegue ser atual e trazer situações que rodam a nossa sociedade capitalista que conhecemos e vivemos; Onde as propagandas são atrativas, o crédito é fácil e que contribui para o endividamento de pessoas que compram mais pelo ter do que pela necessidade. Payback não é um manual que ensina como economizar o dinheiro ou como investi-lo, mas sim um convite a repensar a nossa forma de consumir e trazer uma visão trágica e dolorosa da dívida. 
"Na minha parte do mundo, temos um ritual de troca de frases mais ou menos assim:
Pessoa 1: "Que lindo dia temos hoje."
Pessoa 2: "Vamos pagar por ele mais tarde.""
Um livor de leitura envolvente e que traz para todas as questões discutidas ao longo do livro apêndices úteis com referencias de leituras para que possamos nos aprofundar e descobrir mais acerca desses problemas. Uma obra interessante e necessária para reaproveitarmos melhor o nosso tempo e utilizar com mais consciência os nossos recursos naturais.
A canadense Margaret Atwood nasceu em 1939. Publicou mais de 15 romances, e também diversos livros de poesia e contos em revistas. Dentre os prêmios ganhados estão o Arthur C. Clarke Award e o Prince of Asturias Award, também já foi indicada ao Booker Prize cinco vezes, e ganhou uma. Seu romance "O Conto da Aia" foi transformado em série de TV com previsão de estreia para este mês.

Até logo,
Pedro Silva!

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