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Resenha #248: A Tradutora - Cristovão Tezza

Título: A tradutora
Autor: Cristovão Tezza
Editora: Record
Edição: 1
ISBN:9788501078889
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 205
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Avaliação:  






RESENHA


A personagem Beatriz já apareceu em outros contos e obras de Cristovão Tezza, e agora ganha protagonismo em “A tradutora”. A personagem é uma tradutora de 30 e poucos anos, que acaba de receber a encomenda de um editor paulista, para traduzir para o português um livro do fictício escritor Felip T. Xaveste, um filosofo catalão, com inclinação conservadora. Enquanto lida com a tradução difícil, mas que pode marcar positivamente sua carreira, Beatriz tem que lidar com os problemas da sua vida pessoal.
Beatriz tem poucos amigos, é divorciada (fato que ela evita comentar), está em uma situação financeira critica, e um namoro conturbado, ela então, mergulha na tradução, como uma forma de escapar da realidade. Porém os pensamentos de Xaveste (que acompanhamos por trechos da tradução), sempre parecem remeter a Donetti, escritor de meia idade, com quem mantém um relacionamento de dependência emocional. 
“Preciso trabalhar, mas ele não quer que eu trabalhe; preciso de liberdade, mas ele não me quer ver livre; preciso de dinheiro, e ele finge desprezá-lo; preciso de clareza, e ele gosta de turbar o mundo; gosto de luz, e ele ama o escuro — eu respiro, ele conspira, como disse o poeta”. Pág. 14
A rotina da personagem começa a mudar, quando ela é contratada como intérprete para Erik Höwes, executivo alemão da FIFA, em visita a Curitiba para os preparativos para a Copa do Mundo no Brasil. Durante três dias, Beatriz acompanha o estrangeiro por pontos turísticos de Curitiba, nas obras inacabadas da Copa, e até mesmo em um terreiro de umbanda, a pedido do alemão. Andando pela cidade em que nasceu, ao lado de um estrangeiro, Beatriz começa enxergar a cidade, e sua própria vida com outros olhos.

“A tradutora” é narrado em terceira pessoa, combinando trechos da tradução de Xaveste, bem como pensamentos e lembranças de Beatriz, diálogos imaginados, outros nem tanto. Não possui uma ordem cronológica linear, mas é esse modo de narrar que marca o diferencial do livro, deixando evidente a densidade psicológica da personagem. 
“Eu não agüento mais o teu ciúme psicopata mal reprimido que você deixa escapar até pela mínima entonação de voz, como alguém que quer dominar simultaneamente tudo e todos e principalmente a mim.” Pág.41
O livro traz a tona lembranças de um abuso que a personagem sofreu pelo qual se sente culpada; o contexto social do Brasil durante a Copa do Mundo em 2014; discute o relacionamento baseado em dependência, etc. Beatriz sempre com de ironia e de desdém para com si mesma, tenta traduzir a si mesma, uma personagem incapaz de não se sentir empatia. 
“A liberdade: a gente sente quando ela falta, não de fora pra dentro, mas de dentro pra fora — isto é, eu mesma me escravizo.” Pág. 55



Até mais,
Elidiane Galdino


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