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Resenha #232: A Máquina de Fazer Espanhóis - Valter Hugo Mãe

Título: A Máquina de Fazer Espanhóis
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Biblioteca Azul
Edição: 2
ISBN: 9788525062529
Gênero: Romance Português
Ano: 2016
Páginas: 264
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Avaliação: 



RESENHA


A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe recebe a sua segunda edição publicado pela Biblioteca Azul. Na obra do autor português, o que vai reinar é a solidão dos idosos jogados em asilos e esquecidos por seus familiares. 
Após ter recebido a notícia da morte de sua esposa, Antonio, barbeiro de 84 anos é levado ao Feliz Idade, um asilo para idosos, por sua filha.  Lá, amuado e com raiva por ter sido apunhalado por sua própria filha, ele passa seus dias fechado para os demais velhos a sentir a dor da perda de sua tão amada mulher. Esse momento de isolamento dura um tempo, mas logo ele passa a se relacionar com os demais idosos e a trocar ideias afim de se conhecerem melhor. E assim, aquelas pessoas, vão apresentando suas peculiaridades e histórias de muitos anos, como a fase em que Portugal viveu a ditadura imposta por Salazar... período esse que guarda fantasmas da vida de António que ainda lhe assusta nos dias atuais.
Temos o quase centenário Esteves que se diz ser o protagonista do Tabacaria (um dos poemas mais famosos do Fernando Pessoa) e morre de medo que lhe tire a metafísica. A dona Marta que espera todos os dias notícias do seu marido (o qual é mais jovem que ela e toma conta de seus bens) entre outros personagens bem originais e descritos.

As conversas entre eles é uma das coisas que mais alegram aos moradores da Feliz Idade. Eles sabem que depois daquele lugar, o próximo destino é o cemitério. Depois que chegar a sua hora, outro residente chegará para substitui-lo como acontece e em meio ao ódio, as novas amizades, as loucuras e conversas com enfermeiros e médicos, eles encontrar motivos para construir uma ajuda mútua.
A obra de Valter Hugo Mãe é uma delicadeza de livro. Apesar de ter um ritmo mais lento que requer uma maior atenção, sua narrativa continua bela e poética assim como O Filho de Mil Homens. Lá ele deu vozes à minorias necessárias e aqui, mais uma vez nessa narrativa de devir, ele nos foca o olhar para os que padecem em lugares solitários e nada familiares que nos deixam questionando: o que estamos fazendo com nossos velhos? Afinal, os novos de hoje serão os idosos do amanhã e esse corpo um dia não vai sustentar tantas experiências vividas ao longo de décadas.

Até logo,
Pedro Silva

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