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#Semana Peculiar - Editora Intrínseca: Filme vs. Livro

Hello peoples, voltei! Dando encerramento ao último dia da Semana Peculiar, hoje trouxe para vocês uma resenha do primeiro livro da série, e aproveitando o clima, juntamente a resenha, uma comparação como filme! Prontos para se aventurar em uma nova fantasia?



'O Orfanato da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares' foi um livro, que a primeira vista, me deu uma sensação diferente, esperando que encontraria uma obra mais voltado ao terror básico/suspense. O mesmo não posso dizer ao fim da leitura. Com uma pegada bem infantil, o livro é bom, mediano, mas perdeu bastante pontos comigo devido a total foco que deu ao romance, tornando diversas partes monótonas e sem graça.

Uma tragédia familiar lança Jacob Portman em uma viagem de descoberta rumo a uma ilha quase abandonada na costa do País de Gales. Jake quer descobri quais mistérios seu avô guardava e que envolvimento ele pode ter com os monstros que aparecem para ele. Essa busca o levará ao orfanato onde o avô morou na sua infância e adolescência antes de combater na segunda guerra mundial. O que Jake não suspeita é que todas as histórias e fotografias estranhas que ele tinha e mostrou, são verdadeiras. Um novo mundo surge para o garoto, de forma que os mistérios que ele está tentando descobrir serão desvendados e novos perigos revelados.


Narrado em primeira pessoa, o primeiro volume da trilogia não tem grandes momentos de ação, tirando o final, mas garante uma leitura leve e rápida, apesar de todos os empecilhos. A narrativa de Ransom Riggs é muito leve, de certa forma, até simpática, sempre convidando o leitor a continuar, embora o teor do livro em si, seja um tanto quanto pesado. O autor, diferentemente do que aconteceu na adaptação, não tentou suavizar tanto assim o lado mais sombrio e maquiavélico que sua trama guarda. Algumas cenas são capazes até de causar certo arrepio. O jogo de texto e imagens, ao longo do livro, só engrandece a ideia de que realmente mergulhamos na obra e nos apropriamos do mundo de Riggs.

Gostei particularmente da ponto central da obra, mas confesso que dois aspectos reservados me chatearam um pouco. O primeiro é logicamente o romance, como já mencionei acima. Gosto de romance em livros, ou pelo menos não dou tanto importância quando eles são rápidos e naturais. Com esse primeiro volume da trilogia, eu não senti essa leveza. O romance que acontece entre Jake e outra personagem se tornou um tanto quanto forçado ao meu ver, como se a história precisasse realmente desse envolvimento para acontecer, o que não é o caso. Riggs tem todo um plano de fundo ótimo para explorar, mas foca-se muito no relacionamento desse protagonista e acaba criando alguns momentos de monotonia na leitura.
O outro ponto que não me agradou foi a pouca exploração que os personagens secundários ganharam. Eles estão sempre presentes na trama, mas não conhecemos a fundo suas histórias, origens ou até seus desejos. O foco fica todo sobre o protagonista, sendo que temos coadjuvantes muito mais interessantes, como é o caso de Millard e Enoch, doiss personagens por quem realmente me apeguei e gostaria de saber mais. Talvez o total foco para o envolvimento romântico do personagem principal tenha gerado esse  gasto de tempo excessivo sem que fosse dado espaço para os outros se mostrarem.

Possa ser, entretanto, que o romance não lhe chateie tanto assim. A mim, a garota envolvida nesse par não me desceu muito também. No começo achei Emma uma personagem forte, destemida, mas depois ela se transformou em algo muito superficial, como se a partir do momento em que começa a se relacionar com Jake, vivesse inteiramente pra ele (síndrome da Bella) e suas decisões passam a ser sempre sob medidas das dele.

Os méritos que não podemos tirar do autor é justamente o relacionamento de Jake com seu avô e pai. Foi uma construção muito interessante, até porque os pais, geralmente em YAs, quase são presenças mortas. Riggs resolveu apostar na realidade e colocou a família como barreira para o garoto enfrentar, por isso, a mim, 'O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares' passou a impressão de ser uma leitura sobre crescimento pessoal, amadurecimento. Vemos Jake fazer a jornada do herói, saindo dos braços da família e tornando-se o responsável por todos a sua volta, em uma batalha realmente cruel. Riggs não foi menos que magnifico nesse aspecto. A construção familiar que ele impõem em sua trama ficou bem resolvida, cheia de nuances de mistérios e segredos; verdades e mentiras.

No mais, como mencionei, foi uma leitura mediana, de forma que eu não sabia exatamente o que mais me agradou e o que menos me agradou, não modificando o fato de que me cativei pela mitologia demonstrada pelo autor e todo o clima meio gótico que a obra tem. Com uma edição muito legal, cheia de imagens ao longo do texto, e uma narrativa fluída, apesar dos empecilhos que tive com o romance, 'O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares' foi uma leitura divertida e interessante, dando espaço a uma série que vou sim, continuar.


Então pessoal, um dia após terminar a leitura, eu fui ao cinema curtir a adaptação, e diferentemente do que muitas pessoas acharam, eu realmente me diverti. Dúvida que não quer calar: está diferente? Sim e não. O começo do longa é bem fiel ao livro, de fato que você vê diversas cenas com pouquíssimas alterações do que tinha sido contato logo no comecinho da obra. Infelizmente, para os conservadores do material original, o negócio desanda um pouco mais a frente, quando as mudanças ficam extremas e seguem a linha “Percy Jackson e o Mar de Monstros” que começa bem, mas desmantela ao fim.

Algumas cenas semelhantes são os primeiros contatos de Jake com o avô, ou suas idas ao psiquiatra, ou sua chegada a ilha dos peculiares e a forma como ele tem o primeiro contato com eles, dentre outras que vão acontecendo, raramente, durante o decorrer do enredo.
Um ponto chato na verdade foi à produção ter alterado o dom de alguns personagens. No livro conhecemos duas garotas: Olive e Emma. Ambas são peculiares, sendo que a primeira possui o dom de flutuar enquanto que a outra cria chamas. Emma torna-se, logo no começo, o interesse amoroso do protagonista Jake. No filme, porém, essas personagens tem seus dons trocados, e a Emma da adaptação tem o dom de flutuar e controlar o ar a sua volta, tornando-se o foco do romance com o personagem de Asa Butterfield.

A batalha final também ficou bastante diferente do livro, de forma que a adaptação não deixa tanto espaço para uma continuação.

Apesar de tudo, “O Lar das Crianças Peculiares” é uma ótima pedida, e embora não seja fiel ao livro (quase nenhuma adaptação é) que deu origem, ao meu vê, é possível sim, gostar tanto da adaptação, quanto da obra. Tendo cenas cheias de adrenalina e ação, trazendo o companheirismo e conversação entre os personagens, pode gerar um frio na barriga do telespectador e garantir diversão mediana.

Um comentário:

  1. Sinceramente eu ainda tô muito confuso se devo ou não ler o livro e ir no cinema conferir essa obra. Sobre o livro, eu li algumas resenhas, assim como a sua citando diversos pontos negativos sobre a historia que eu tbm não curtiria, como o romance, e tudo mais, então é quase certeza que não lerei. Sobre o filme eu já tinha quase certeza que não iria ver por que é o Tim Burton que tá dirigindo e eu gostava muito dele, mas ultimamente ele só tá decepcionando nos seus filmes (saudades Beetlejuice), mas ai eu participei deu um evento naquele jogo Escape60 que tem aqui em São Paulo (não sei se vc conhece, enfim...) com a tematica do filme, e a experiencia e imersão na historia foi tão boa que fiquei com muita vontade de assistir, ai o filme lançou e vi um monte de criticas negativas, acho que vou esperar sair nas interwebs pra baixar hahaha. Sobre esse lance dos filmes diferentes dos livros, confesso que eu adoro, afinal qual é a graça de você pagar 50 reais pra ir no cinema ver um filme que você já sabe a historia todinha? Desde que fique bom e que as mudanças acrescentem algo a historia (como não foi o caso de Percy Jackson), por que não? Mas aparentemente sou um poucos que pensa assim. Enfim, acho que escrevi demais, desculpa, tenho que parar com essa mania hhaha

    Abraços
    http://bit.ly/TheMagicians1

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