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Resenha #212: O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe

Título: O Filho de Mil Homens
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Biblioteca Azul
Edição: 2
ISBN: 9788525062536
Gênero: Romance Português
Ano: 2016
Páginas: 224
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Avaliação: 





RESENHA


Crisóstomo chegou aos 40 anos e sentiu a infelicidade de não possuir um filho. Pescador, sempre dedicou sua vida ao oficio no povoado e negligenciou essa ordem da natureza. Seus amores falharam e tudo para ele parecia lhe faltar pela metade. Talvez com um filho, essa metade se completasse. Ele até chegou a comprar um boneco de pano para tentar suprir essa falta - o que não acontece.  A coisa muda quando ele conhece um jovem adolescente órfão de 14 anos chamado Camilo no trabalho e é onde ele enxerga a oportunidade de realizar seu desejo: ser pai. Outros personagens vão aparecendo e complementando o desejo de Crisóstomo não de apenas ser pai, mas também constituir família, amar e ser amado. 
O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe é composto de vários personagens que vão se interligando de acordo com o passar das páginas. Cada personagens carrega em si as dores do mundo, e de uma falta. É essa falta que os motiva a seguirem em frente em busca de complementar o que lhe faltam. Seja um casamento, um filho, um amor ou uma aceitação... não são desejos ambiciosos no sentido material, mas sim no que diz respeito ao afeto. E é nesse ponto que o autor sabe trabalhar, porque ele constrói personagens profundos, e se demora bastante em descrições internas de cada um deles, por isso passamos a enxergá-los com uma visão panorâmica e completa de cada um que se tornam originais justamente por terem características bem definidas e distintas.

Há a anã que é vista como um ser solitário e incapaz de ter o amor de um homem; a jovem prometida ao matrimonio e que precisa se guardar para o marido; o senhor viúvo que perdeu a esposa e busca uma nova para cuidar da casa; a mãe tendo que lidar com o filho homossexual; o filho homossexual incompreendido... entre outras narrativas que estão todas interligadas.
A forma familiar apresentada aqui é um exemplo do que é família. Família não é apenas a tradicional composta por pai, mãe e filho ligados por laços sanguíneos. Família é mais que isso, é a base de cada individuo, não importando a sua conjuntura e estrutura, tendo amor é o que importa.

Com uma narrativa feita em terceira pessoa,a obra é rica em belas descrições e frases lindas que deixam o leitor com vontade de destacar tudo. Isso porque o autor é de uma sensibilidade indescritível e nos presenteia com um texto que foi muito bem cuidado e tratado antes de se tornar o livro que está em nossas mãos. O texto foi deixado no original, o português de Portugal (o que é excelente) a pedido do autor.  
E não apenas o textual, como o trabalho gráfico da editora Biblioteca Azul está belíssimo e tive que deixar a resenha cheia de fotos para mostrar isso. A capa é em softtouch,com uma textura aveludada, as folhas são em papel polén soft com uma fonte de tamanho ótimo, e segue com ilustrações de Agostinho Santos. Ainda conta com um prefácio excelente de Alberto Manguel.

Se você já leu o pretende ler essa obra, conta aí nos comentários. Eu adoraria saber.

Até logo,
Pedro Silva

Um comentário:

  1. Vera Lucia Pereira dos Santos16 novembro, 2016

    Li duas vezes este livro. É fascinante a forma como o autor penetra na alma das personagens e em seus pensamentos desnudando seus sentimentos nem sempre louváveis e por isso mesmo verdadeiros.A linguagem é lírica. Um dos recursos é a repetição de frases ou fragmentos de frases sob a forma de anáforas e paralelismos. Os temas explorados, solidão homossexualismo, preconceitos, machismo.... permeiam a vida de personagens típicas e revelam a moral retrógrada da sociedade retratada no livro. Tudo converge porém para a superação de conflitos envolto numa aura de esperança.

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