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Resenha #191: O Fim da História - Lydia Davis

Título: O Fim da História
Autor: Lydia Davis
Editora: José Olympio
Tradutor: Julian Fuks
Edição: 1
ISBN: 8503012758
Gênero: Ficção norte-americana
Ano: 2016
Páginas: 210


Avaliação:




RESENHA


Em O Fim da História, acompanhamos as dores de uma mulher que se relacionou com um homem 12 anos mais jovem que ela e que, infelizmente, sem motivos aparente, terminou o relacionamento. A partir de então, a personagem se afoga nas cartas e poemas que eles trocaram, tentando uma reaproximação com o intuito de descobrir porque acabaram e sem esquecer da quantia que o rapaz ficou devendo a ela.
Na busca por esse saber, a mulher que não é nomeada passa a explorar suas lembranças de um passado próximo e com a incerteza do que está pescando no passado. Afinal, as memórias podem enganar e nós, como humanos que somos, inventamos às vezes coisas onde não existem. Enquanto rememora esse relacionamento ela também luta para terminar o romance ao qual está se dedicando, enquanto não está trabalhando como revisora.

Em uma narrativa sublime, mergulhamos na cabeça dessa personagem cheia de incertezas, de vai-não vai, bate-volta e lutas para reconstruir o romance que acabou e finalizar o romance que está a escrever com base na história de amor que viveu. Tudo isso em primeira pessoa sem passar muitos detalhes acerca dos poucos personagens que existe e do cenário. O foco aqui é nessas lembranças falhas que encontramos que torna o enredo e a personagem central nada confiáveis.

Os diálogos são inexistentes e o enredo se inicia com o final do romance. O leitor não se situa de quase nada, em contrapartida se assusta com a solidão e o desespero que a narrativa transmite, além do mais, é como se a autora soubesse da dor de todo mundo que já passou por um fim nas circunstancias da personagem. Passamos a definharmos para entender o que nos afeta abruptamente.
O Fim da História é a mente tentando dar sentido a confusão que é amar; cérebro tentando pegar nas mãos do coração e só por isso, essa obra vale muito a pena.

Com folhas amarelas, diagramação simples e sem capítulos, o livro não possuir erros. Traz tradução impecável do Julián Fuks e uma capa que remete a um dia de chuvoso em uma janela e que traz um sentimento de envolvimento e ao mesmo tempo melancolia.

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