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Vamos ler juntos Pensei Que Fosse Verdade?

Olá, leitores. Este post é um convite que venho fazer para vocês: vamos ler juntos Pensei Que Fosse Verdade da autora Huntley Fitzpatrick?

Para quem não conhece, Huntley Fitzpatrick já teve outro livro publicado aqui no Brasil também pela editora Valentina, chamado Minha Vida Mora ao Lado. Apesar de não ser série, as histórias se passam no mesmo local, portanto, para quem já leu, é como voltar para uma cidade onde passamos um veraneio.

Para participar do evento é só entrar na página do Facebook dedicada à discussão e participar. 

Click na imagem para ser direcionado ao evento!
O evento será dividido em dois momentos, um sem spoilers e outro com, começando no dia 15 de agosto e finalizando no dia 15 de setembro. Ao longo do mês irão ser postadas brincadeiras e perguntas, para fomentar a conversar sobre a leitura do livro.

Confira a seguir a sinopse do novo romance da autora:


“O Paraíso À Beira-Mar.”“O Segredo Mais Bem Guardado Da Nova Inglaterra.” A ilha de Seashell, onde passei minha vida inteira, é tudo isso e muito mais. No entanto, a única coisa que eu quero é ir embora daqui. Gwen Castle nunca quis tanto dizer adeus à sua ilha natal quanto agora: o verão em que o Maior Erro da Sua Vida, Cassidy Somers, aceita um emprego lá como faz-tudo. Ele é um garoto rico da cidade grande, e ela é filha de uma faxineira que trabalha para os veranistas da ilha. Gwen tem medo de que esse também venha a ser o seu destino, mas, justamente quando parece que ela nunca vai conseguir escapar do que aconteceu – ou da ilha –, o passado explode no presente, redefinindo os limites de sua vida. Emoções correm soltas e histórias secretas se desenrolam, enquanto Gwen passa um lindo e agitado verão lutando para conciliar o que pensou que fosse verdade – sobre o lugar onde vive, as pessoas que ama, e até ela mesma – com o que de fato é. Da aclamada autora de Minha Vida Mora ao Lado, um romance sobre um amor “impossível”, cheio de expectativas e arrependimentos, humor e... perguntas difíceis.
Adquira seu exemplar: aqui! 
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Resenha #189: Os Bons Segredos - Sarah Dessen

Título:  Os Bons Segredo
Autor:   Sarah Dessen
Tradutor: Cristian Clemente
Editora: Seguinte
Edição: 1
ISBN: 9788565765763
Gênero:  Jovem Adulto (YA)
Ano: 2015
Páginas: 408

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RESENHA


A autora americana Sarah Dessen é tida por muitos como a rainha do gênero Jovem Adulto (YA) com mais de 7 milhões de exemplares vendidos no mundo. Por esses dados, algo de especial tem nos livros dessa mulher que fazem com que sejam tão bem vendidos.
Em Os Bons Segredos acompanharemos Sydney, uma jovem de 17 anos que sempre viveu à sombra do único irmão mais velho Peyton. Após uma serie de infrações cometidas por Peyton, ele está preso, cumprindo pena por dirigir bêbado e ter atropelado um garoto em plena madrugada, deixando o menino de cadeiras de rodas. Mas quem se culpa mesmo por todas as burradas do irmão é Sydney, a filha mais nova que se torna o projeto dos pais para evitar que o mesmo fim aconteça com ela. Sendo assim, a garota acaba sendo afetada pelos erros do irmão e o pior, sua mãe ama tanto o primogênito que se esquece das necessidades da filha para cuidar de Peyton obsessivamente, mesmo ele sendo culpado de seus erros. É como se ela, como mãe, não conseguisse enxergar que o filho sempre esteve do lado errado, já o pai é a figura que não se intromete tanto nesse assunto para evitar grandes discussões.

Como a família gastou muito em processos e advogados, a garota decide mudar de escola para diminuir os gastos e claro, conhecer pessoas novas. O que logo acontece, e a personagem passa a se envolver com os Chatham, uma família que possui uma pizzaria comandada pelo Sr. Chatham e que assim como a sua, carrega suas magoas: A Sra. Chatham que sofre de uma doença grave,  Layla, que é louca por batata frita e se torna uma boa amiga, Rosie (patinadora) a mais velha e que foi pega usando drogas e o irmão Mac, o jovem que nota a presença de Sidney na pizzaria.

A Sidney é uma personagem que a principio aceita tudo o que os pais projetam em cima dela, questionando, mas sem interferir. Ao longo do romance, vamos acompanhando a evolução da personagem de forma gradativa, até explodir nas páginas finais. Através desse ritmo, tudo passa a ser plausível, fazendo do livro algo envolvente e de fácil identificação.
Outro quesito positivo no livor da Sarah Dessen é que, apesar de se ter, o romance é só um detalhe em meio aos problemas familiares que acompanhamos, ficando longe de ser aquele livro em que as lutas dos personagens são o amor de um pelo outro. As preocupações estão mais com amizades verdadeiras, busca por aceitação e acima de tudo, o perdão pelos erros cometidos (mesmo que não tenha sido você, diretamente, o culpado).

Os Bons Segredos possui uma narrativa simples em primeira pessoa, mas que ganha destaque pelo diferencial de seu enredo. O final pode até parecer aberto, mas da forma que a autora deixou, fica evidente que ela não quis dizer tudo, na verdade ela quis deixar o leitor pensando nos passos seguintes da Sydney e de sua evolução como pessoa, algo que todos nós iremos passar um dia.

A edição da editora Seguinte está primorosa. A fonte é grande e com um ótimo espaçamento, tudo isso em folhas amareladas que torna a leitura extremamente agradável (e sem erros de revisão). Já as ilustrações da capa e o título, a partir de um determinado momento, fazem todo o sentindo, e é até lindo. Vale à pena conhecer essa história; Ah, e se você ficar com vontade de comer uma pizza, saiba que não és a única pessoa. 

Até logo,
Pedro Silva 

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Resenha #188: Os Contos Completos - Alberto Mussa

Título:  Os Contos Completos
Autor:   Alberto Mussa
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501107220
Gênero:  Contos brasileiros
Ano: 2016
Páginas: 400

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RESENHA


A obra Os Contos Completos de Alberto Mussa possui um título enganoso, isso porque quando lemos "Contos Completos" achamos que a obra de fato reúne todos os contos escritos pelo autor, porém, aqui há uma seleção entre seus escritos e ainda com alterações que o autor achou adequado realizar.
Dividido em quatro partes sendo "Histórias cariocas", onde as estorias se passam no Rio de Janeiro do século XIX; "Narrativas orientais", trazendo temas da cultura árabe;  "Relatos brasileiros", onde o autor busca mesclar fatos históricos do Brasil com sua ficção e "Variações Machadianas", que são desdobramentos da obra de Machado de Assis através do aturo Alberto Mussa.  

Alberto Mussa crê que as histórias são variantes de uma mesma narrativa, onde as os mitos são recriações de outros já existentes, cabendo assim toda a literatura em um livro.

O livro em um todo não brilhou, os contos não conseguiram me envolver, seja por seus temas, seja por sua construção de uma forma que aparenta misturar fatos históricos com ficção. A ideia é interessante, mas uma vez que o assunto não está em meu conhecimento acaba transformando a situação em algo fatigado e sem tanto envolvimento.
Mesmo assim, consegui gostar de alguns poucos contos, como o que abre a coletânea "A milha do galo", "A cabeça de Zumbi", que traz a narrativa de Zumbi dos Palmares e os dois novos pontos de vista acerca de Machado de Assis. E recomendo fortemente os dois textos que estão no apêndice do livro: "Decompondo uma biblioteca" e "Decálogo do leitor".

O gênero conto é uma ótima pedida para conhecer um autor, apesar de não ter gostado tanto da obra, ainda a recomendo para quem tem interesse em conhecer Alberto Mussa e sua escrita.

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #187: Os Afetos - Rodrigo Hasbún

Título:  Os Afetos
Autor:   Rodrigo Hasbún
Editora: Intrínseca
Edição: 1
ISBN: 9788580579192
Gênero:  Ficção
Ano: 2016
Páginas: 128

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RESENHA


Depois da derrota da Alemanha na segunda guerra mundial, por volta de 1950, a família alemã Ertl composta por pai, mãe e três filhas se exila na Bolívia, em busca de recomeço. O patriarca, Hans, é fascinado por aventuras e descobertas e faz isso com o apoio de suas lentes, documentando tudo o que descobre (antes, ele fora cinegrafista da cineasta Leni Riefenstahl) . A empreitada então é uma expedição para adentrar na floresta amazônica em busca de uma cidade inca até então pouco ou nada explorada. Essa sede por novas descobertas afloram os mesmo desejos nas filhas que anseiam acompanhar o pai.


Monika, a mais velha, herda do pai essa inconformidade e após acompanhar o pai na busca, ao regressar, seus ideais mudam e ela usa esse tom de sua personalidade para fins mais perigosos.

O livro é curto e o autor contribui bastante para essa narrativa sedutora, mas nem tão pouco leve, com capítulos pequenos e cheios de coisas não ditas que ficam no ar. Geralmente ele é mais direto em suas descrições e evita falar de coisas supérfluas como a cor da camisa que tal personagem está usando.

Gostaria de dizer que ao escolher narrar a história por vários pontos de vista e em momentos diferentes é um destaque, porém como a narrativa é curtíssima, deixa-se uma certa falta maior de ligação entre os fatos, como se não estivéssemos tratando da mesmo história justamente por essa espaçamento temporal que há entre os capítulos. É, também, como se ao colocar um narrador secundário, o livro se tornasse mais frio e menos envolvente e no final, ficou um tanto confuso de compreender e um sentimento de que faltou mais algum narrador fechando de vez o livro.

Para quem tem conhecimento sobre quem foi Monika Ertl e o que fez, o livro talvez faça mais sentido e traga maior envolvimento com a história que o Rodrigo Hasbún nos conta. Para o Pedro, ficou apenas o mesmo questionamento de Monika: Não sentir nada, é sentir algo?

Até logo,
Pedro Silva

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Resenha #186: Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello - Chris Grabenstein

Título: Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello
Autor: Chris Grabenstein
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 1
ISBN: 9788528620474
Gênero:  Ficção Infanto Juvenil
Ano: 2016
Páginas: 300

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RESENHA


O senhor Lemoncello, o maior inventor de jogos está para completar mais um ano de vida, e para comemorar, sua amiga a dra. Zinchenko fez um árduo trabalho para restaurar a biblioteca municipal da cidade com a finalidade de trazer de volta o local onde o Sr. Lemoncello passou sua infância. Mas ela não fez um simples trabalho de reabilitação, mas transformou completamente a biblioteca com o apoio da alta tecnologia, dando à ela uma nova repaginada.
Para incendiar ainda mais a inauguração, doze crianças terão a oportunidade de poder passar uma noite na biblioteca e o melhor: ganhar prêmios e prestígio. Apenas ganhará o maior prêmio, a criança que conseguir sair da biblioteca. Detalhe: sem utilizar a saída óbvia pela qual entrou.

Em uma narrativa ágil, o autor nos presenteia com uma história que mistura A Fantástica Fábrica de Chocolates com O Jogador Número 1, cheio de referências literárias. O que será um prato cheio para os amantes do universo geek e literárioo. Não que Fuga da Biblioteca do Sr. Lemoncello seja uma copia, ao contrário, a obra tem seus pontos originais, como os jogos elaborados com mistério para as crianças desvendar.

As únicas ressalvas são a imensa necessidade do autor em passar sua mensagem principal: a de quem nem sempre quem trapácea será o vencedor, e que para vencer você tem que ser honesto e certinho; dançar conforme a música. E a outra ressalva é que tudo corre para que o personagem central ganhe o prêmio, ficando uma coisa até previsível.
O livro possui uma boa diagramação, com fonte em tamanho agradável e capítulos curtíssimos que dão a impressão de rapidez durante a leitura. Além disso, a capa possui uma palheta de cores que consegue chamar a atenção, principalmente do público algo: crianças e jovens. Uma leitura despretensiosa que recomendo fortemente.

Até logo,
Pedro Silva

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{TOP COMENTARISTA} Resultado Junho!

Olá, pessoal! Como vocês estão? 

Ansiosos para descobrir o nome do ganhador do top comentarista do mês de junho, suponho. No mês de junho contamos com sete postagens válidas para o Top Comentarista, distribuídas entre resenhas, divulgações e outros post's. O ganhador, este mês, levará pra sua casa um exemplar de Outro Conto Sombrio dos Grimm, publicado no Brasil pela Galera Record e escrito por Adam Gidwitz. Não vou me prolongar, vamos aos dados:

Este mês tivemos cinco participantes que comentaram em todas as postagens e, por haver apenas um prêmio, tivemos que sortear o exemplar entre estes sete.



Para realizar um sorteio justo, demos um número a cada um dos participantes, conforme a tabela abaixo:



Utilizamos, então, uma plataforma digital para sorteios, o Random.org, e o grande vencedor foi...
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Resenha #185: Wolf In White Van - John Darnielle

Título: Wolf In White Van
Autor: John Darnielle
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501104663
Gênero:  Ficção Jovem adulto / Literatura Estrangeira
Ano: 2016
Páginas: 224

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RESENHA


Wolf In White Van conta a história do Sean Phillips, um jovem que aos 17 anos, após um acidente se afundou ainda mais em uma vida reservada. Apesar disso, ele se mostra esperançoso em seu modo de ver e viver uma vida com sentido e pés no chão. Após esse acidente, que quase  o levou a morte, seu rosto ficou desfigurado e ele passou a ser foco de olhares estranhos e preconceituosos.


Forte Itália é um jogo de RPG pós-apocalíptico de estrategia e sobrevivência jogado através de cartas criado por Sean enquanto ele estava no hospital se recuperando do acidente, e também é uma forma de ter contato com o mundo exterior através das cartas que recebe dos jogadores. O jogo funciona da seguinte forma: Um turno é enviado por Sean e o jogador responde com uma ação dentre as opções sugeridas. A ideia que parecia simples ganha outro tom quando dois jovens levam o jogo a sério demais e o trazem para a realidade, levando a morte de um e o ferimento do outro gravemente.

Narrado em primeira pessoa não linear, de forma que o autor faz um jogo dos acontecimentos do passado para o presente, dando uma certa complicação na narrativa e mais mistérios, deixando as divagações do personagem e a dúvida do narrador meio capcioso. Esses devaneios que o autor coloca do personagem são em parte longas e que tiram o interesse do leitor na narrativa, quebrando o ritmo de leitura.


Ao começar a ler Wolf In White Van esperava uma coisa no estilo Jogador N° 1, mas não supriu as minhas expectativas porque são livros distintos. Quando falou em RPG achei que iria ficar voando, pois não é algo que tenho o costume de me interessar, mas esse medo logo passou, já que o jogo em si não é bem o foco do autor, tanto é que pouco a gente sabe sobre.

Recomendo para quem gosta de um livro na medida certa, sem altos e baixos, mas que sabe dosar bem os elementos para contar uma história e do universo Geek.

Até logo!

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Resenha #184: Filhas de Eva - Martha Mendonça

Título: Filhas de Eva
Autor: Martha Mendonça
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501107527
Gênero: Conto brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 128

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RESENHA


A autora carioca Martha Mendonça é uma das pessoas que estão por trás do site Sensacionalista, sucesso na internet com reportagens hilárias sobre os absurdos da nossa realidade. No seu mais novo livro, Filhas de Eva, Martha usa seu talento para identificar os casos mais curiosos e os transforma em literatura.

Na obra, temos reunidos 18 contos que esmiúçam os sentimentos e vidas de mulheres singulares. A autora extrai do trivial e do corriqueiro belos contos. Características que muito me agradam nos contos, principalmente quando aborda o mundo feminino, como por exemplo, Antes que Seque, de Marta Barcellos e Ela e Outras Mulheres, de Rubem Fonseca.
“De um folego só, prometeu a si mesma: aquilo nunca mais. Nunca mais beijo sem paixão, flor sem perfume, desejo contido ou falso perdão. Nunca mais valores caducos, regras retrógradas, amor sem tesão ou viver sem razão.” Página 76
Martha mostra a variedade e diversidade do mundo feminino, do inicio ao fim do livro, afinal o conto que abre o livro é sobre Eva, a primeira mulher do universo. E o conto que o encerra é do ponto de vista de uma mulher morta. Nas poucas 128 páginas têm amantes, românticas, mocinhas e senhoras, compulsivas por comida, amores obsessivos, noivas, etc. É impossível não se identificar com alguma personagem, em seus defeitos e profundezas do ser. 
“Na pia, em frente ao espelho por pura necessidade, passou removedor de maquiagem nas dores, gel redutor nas angustias, loção fixadora nos nervos, creme esfoliante nas culpas, adstringente nos erros, hidratante no nó da garganta- e então chorou, borrando o rosto o corpo e o espirito.” Página 90

É um livro curto e leve, os contos são rápidos, mas com muita qualidade literária. Comecei a ler no ônibus voltando para casa e terminei na mesma tarde. Martha Mendonça dá vozes a mulheres desconhecidas, e passa longe de nos definir em estereótipos e clichês. Recomendo.

Até logo,
Elidiane Galdino


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{Sorteio}: 4º ano do blog "Peregrinos da Noite"


No dia 9 de julho de 2012 surgia acanhadamente o blog literário Peregrinos da Noite (PN). Em comemoração aos 4 anos de sua existência, O PN juntou-se a 22 blogs amigos para presentear você. O blog faz aniversário mas quem ganha presente é o leitor!

 Serão 5 ganhadores que levaram para casa livros + marcadores + outros mimos. Vamos aos prêmios?

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Resenha #183: Welcome to Copacabana & Outras Histórias - Edney Silvestre



Título: Welcome to Copacabana
 Autor: Edney Silvestre
 Editora: Record
 Edição: 1º
 ISBN: 9788501107466
 Gênero: Contos brasileiros
 Ano: 2016
 Páginas: 352

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RESENHA


Welcome to Copacabana é o primeiro livro de contos de Edney Silvestre, escritor premiado e conhecido por livros como Vidas provisórias e Boa noite a todos. O livro é dividido em três partes "No rio", "Além do Rio" e "De volta ao rio", com contos que permeiam por bairros do Rio de Janeiro, subúrbios, países como França e Itália, até voltarem novamente ao Rio.
"O levaram para dormir em outra parte da estação, do lado de fora das grades, onde todos eles dormiam juntos, umas meninas também, unidos por pedaços de barbante e corda nos tornozelos, pois se puxassem um o outro saberia." Página: 61
As vozes narrativas e os personagens dos contos são os mais diversos, homens, mulheres, ricos, pobres, criança abandonada, gay, sobrevivente de guerra, imigrante nos EUA, cartomante, etc. Por se tratar de contos, sempre existem contos que gostamos mais, e outro nem tanto. Porém nesse livro Edney Silvestre consegue manter o nível de qualidade de suas histórias.

Meus contos preferidos são "Ontem", um conto curto sobre uma família que perde tudo em um incêndio. "Bem que olhava o trem", um menino que passa a morar nas ruas, após sofrer abuso sexual. E "Welcome to Copacabana", a historia de Regina, uma viúva que passa a morar em Copacabana, e passa a lamentar os sonhos adiados, por causa do casamento e filhos. Voltamos a saber sua historia em dois contos, nas outras partes. "Além do Rio", e "De volta ao Rio".
 “A solidão ficou tão mais fácil depois da internet. Não existe solidão. Não mais. Existem a ponta dos dedos, o teclado, a tela, os chips, o ciberespaço, as bocas os gozos e tudo a disposição de um clique, um mouse, uma seta, uma caixa, um site. Não existe mais solidão." Página: 99
Edney Silvestre foi correspondente em Nova York do jornal O Globo e da TV Globo, cobriu também os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Neste livro ele traz suas experiências como jornalista em seus contos, transformando fatos da nossa realidade em ficção. De modo geral, o livro muito me agradou, apesar de temas pesados os contos no geral são leves e bons de ler. Recomendo.

Até logo,
Elidiane Galdino



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Resenha #182: Neblina - Adalgisa Nery

Título: Neblina
Autor: Adalgisa Nery
Editora: José Olympio
Edição: 2
ISBN: 9788503012676
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 208

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RESENHA


Adalgisa Nery é uma das (re)descobertas que a José Olympio vem resgatando de seu acervo. A autora carioca que nasceu 1905, foi, além de escritora, jornalista e deputada. Entre sua obra temos poesia e dois romances, sendo o primeiro deles A Imaginaria de 1959.
Neblina, é o segundo romance da autora, sendo publicado originalmente em 1972. Na trama, uma mulher casada se isola de tudo após uma experiência de quase morte durante uma cirurgia e seu interesse em viver se torna turvo e sem sentido. Enquanto isso o egoísmo da família se mostra grandioso e a mulher é abandonada num quarto fechado. Esse estado da personagem lembra muito a depressão, mas em nenhum momento isso é mencionado. 

Os dias vão passando, e mais e mais a mulher é escanteada e jogada num "porão", já que a família deseja alugar seu quarto para um casal de inquilinos e assim aumentar a renda para suprir os gastos em casa. A mulher é tratada como uma parente distante que ficou doente, e que não gosta muito de sair, tudo para não manchar a imagem da família.

Com exceção da mãe, todos na casa tem trabalho fixo. O marido da personagem principal ajuda com pouco que pode em casa, e a irmã diz que precisa curtir a juventude enquanto ainda é jovem e que por isso seu dinheiro do trabalho deve ser para comprar produtos de beleza e roupas de marcas em boutiques. O único que não reclama é o patriarca, que tem uma imagem bem apagada dentro da casa.

Na casa, a vida passa a ganhar outro rumo quando um casal de inquilinos alugam o quarto da moça e a inquilina passa a fazer visitas regulares no porão afim de conversar com a mulher que todos achavam ter ficado muda. E como uma flor, a mulher vai desabrochando e se abrindo com a inquilina, e com os amigos dessa inquilina, em conversas filosóficas sobre a vida e a morte. Já a família se sente a melhor por ter pessoas ilustres em sua residência, mas desconhece a família que ela, a personagem central, carrega em si as magoas que veem sendo atingida pelos maus tratos que recebe dos parentes.  
A narrativa nebulosa é em primeira pessoa, com a voz da mulher. É através do contato com uma memória que não é a dela, uma memória em forma de uma segunda cabeça, que ela fica ciente de tudo o que acontece a sua volta, passado e presente.

É impressionante a qualidade literária dessa obra, o enredo a principio pode até ser simples, mas vai ganhando notoriedade ao desenrolar do romance e seu grande foco não está tanto na história em si, mas sim nessas reflexões humanas da personagem central numa escrita continua, intimista e sensível. 

É possível sentir uma grande empatia com essa mulher, afinal, quem nunca se sentiu deslocado em meio a tanta gente e até sua própria família? Às vezes temos nossos estados de exclusão em que queremos ficar apenas só, e não importa se estamos num local iluminado e alegre, se nosso interior é só escuridão.
Se você gosta de um livro que disseca a personalidade do personagem, embora às vezes contraditório, Neblina é uma ótima dica. Se fosse para definir a obra, diria que é uma mistura, como se fosse Clarice Lispector escrevendo A Redoma de Vidro, da Sylvia Plath.