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Resenha #176: Diário de Andrés Fava - Julio Cortázar



Título: Diário de Andrés Fava
Autor: Julio Cortázar
Editora: Civilização Brasileira
Tradução: Mario Pontes
Edição: 1
ISBN: 8520012922
Gênero
Ano: 2016
Páginas: 128

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Avaliação: 



RESENHA



Já pensou ler um livro que menciona um diário de algum dos personagens e posteriormente o autor percebe que dali pode-se tirar realmente um diário e o escreve como um novo livro? Pois, foi justamente o que o autor Argentino fez em Diário de Andrés Fava, publicado originalmente em 1950, retirando do livro El Examen as anotações do personagem Andrés Fava.


Mas antes que você se assuste com a probabilidade de ter spoilers aqui, gostaria de informar que este é um livro avulso, mesmo tendo sua origem em outra obra, em nenhum momento recebemos informações sobre o que acontece ou aconteceu no romance anterior, tanto é que mesmo após a leitura, não sei sobre o que se trata o livro "El Examen".

Ao começar a leitura de Diário de Andrés Fava, esperava encontrar de fato um diário tradicional com anotações periódicas e datadas, mas não é isso que encontramos. Esse personagem faz anotações cotidianas, acerca de assuntos filosóficos e culturais, como literatura e música, coisas das quais gosta muito. Ele é uma pessoa muito crítica e sem papas na língua quando fala de obras que não lhe agradou, como o "Demian" de Herman Hesse. O comentário que ele faz é simplesmente verdadeiro, soa como algo que alguém não diria por temer o que os outros vão pensar. 

Por tratar de ser um livro de um personagem muito culto, muitas das referencias aqui citadas eu não consegui identificar por não ter tanto conhecimento. Alguns autores nem obras traduzidas para o português têm e isso pode ficar um pouco massante (afinal é bem chato ouvir alguém falar de algo que ficamos vagando), mas vejo isso como um convite para conhecer os artistas citados.

Andrés Fava tem uma certa coleção de epigrafes que ele gostaria de usar em livros que um dia irá escrever, mas são tantas, que ele teme e sabe que nunca escreverá tanto para encaixar todas. É nesse ponto que sentimos uma certa semelhança entre o Andrés e o próprio autor, mostrando que um poderia ser o outro, uma espécie de alter ego.
Cheio de passagens com reflações acerca da linguagem, construção textual, formas de escrita e os limites da transposição do material para a linguagem escrita. Diário de Andrés Fava é um livro leve que te fará ficar divagando sobre os pequenos trechos que o Julio Cortázar coloca na obra que são verdadeiras perguntas capciosas.

A edição da Civilização Brasileira está linda, as canetas da capa são todas envernizadas, e o texto recebe notas de roda pé por conta das inúmeras citações em outras linguás para ajudar na compreensão.

A seguir deixo alguns trechos que mais me agradaram e me fizeram pensar. Espero que vocês sintam um pouco do que é a obra.




  

 

 

Até logo!


8 comentários:

  1. Não conhecia nem esse livro nem o outro que citou. Infelizmente, ele não me interessou. Nunca li livros que fossem feitos em formato de diario e não se funcionaria comigo :/

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. A capa é muito linda e condiz totalmente com a proposta do livro!! Achei muito legal a forma da escrita "não tradicional" do diário e personagens sem papas na língua são os melhores!

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  4. Quando li o título da obra também achei que seria como diários tradicionais. Não chamou muito minha atenção, talvez tenha mais interesse se ler a obra de onde o diário foi retirado, mas como você disse, esse é um livro avulso.

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  5. Olá!
    ótima sua resenha, como sempre. Clara e bem explicada. Com certeza esse livro é muito interessante, um jogo de livro e diário...bem legal. Mas não me chama muito a atenção, não é meu estilo de leitura. Com certeza será sucesso entre muitos leitores. Vou deixar passar. Abraços.

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  6. Esse livro não me interessou muito. Ele parece ser um pouco denso e lento. Acho que quando o autor alguma referência que não é de conhecimento popular, poderia haver uma nota de rodapé contextualizando para que o leitor não fique tão perdido.

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  7. Ideia bacana, ainda mais vindo de outro livro, porém não curto muito livros em formato de diários nem em formato de emails, acho mais difícil de me conectar com a trama e entender alguns pontos.
    Assim como você também não gosto de termos e referências não traduzidas ou bem explicadas kkkkk
    Mas têm um projeto literário que participo que precisa ler um livro em forma de diário, então tá anotado a dica aqui, quem sabe não leio esse! rs
    bjão
    Ana
    elvisgatao.blogspot.com

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  8. Oi!
    Ainda não conhecia nenhum dos dois livros mas achei bem diferente temos um livro como sua origem em outro me deixando bem curiosa, achei interessante o conteúdo desse diário, mas esse não foi um livro que gostei !!

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