Nos siga no Instagram! TOP 5: coisas para se fazer em um dia de tédio Desventuras em Série #1: Mau Começo - Lemony Snicket Resenha #229: Era dos Extremos - Eric J. Hobsbawm
2

Resenha #140: Ruína e Ascensão - Leigh Bardugo

Título: Ruína e Ascensão
Autora: Leigh Bardugo
Editora: Gutenberg
Gênero: Fantasia / Distopia
Ano: 2015
Páginas: 344
ISBN: 9788582352335
Adicione

Avaliação: 





RESENHA


Hoje vou falar de um dos melhores livros que li em 2015. A indicação que deixo a inicio desta resenha é: se você ainda não conhece esta trilogia, leia! Com um ritmo eletrizante e um volume mais alucinante do que o outro, Bardugo trás uma célebre fantasia recheada de personagens cativantes e cenários lindos que envolvem o leitor em uma sedutora e inesquecível jornada.

Ruína e Ascensão começa de uma maneira eletrizante. Para quem acompanha a trilogia desde seus primeiros passos em Sombra e Ossos, sabe o quanto a narrativa de Bardugo pode ser viciante. Neste terceiro e último volume as impressões não são diferentes. Começando o livro com a expectativa a flor da pele para o desfecho da história de Alina, o leitor se vê lançando-se pelas páginas sem saber o que mais a autora pode inventar para lhe surpreender. E ela consegue. Com maestria, Leigh Bardugo bate seus próprios recordes e supera novamente o livro anterior. São momentos de ação, tensão e emoção guardados em 344 páginas que não seguram a ansiedade do leitor por descobrir ao fim como tudo irá acabar. É complicado até mesmo de definir as sensações que este livro me transmitiu. Ele foi tudo o que eu esperava e um pouco mais, sem perder sua qualidade ou deixar a narrativa cansativa. Sábias palavras em uma distopia que com certeza merece adentrar a área VIP da minha estante. Foram três livros; três livros que sucessivamente garantiram o excelente enredo em alta, sem perder pontos e se manter sempre na classificação de cinco estrelas e o favoritismo pessoal deste que vós fala.
Uma foto publicada por De Cara Nas Letras (@decaranasletras) em
Neste último momento de sua aventura, Alina corre contra o tempo. Após travar uma cruel batalha contra o Darkling, tendo como preço, perder seu poder; seu dom de conjurar, Alina se isola de tudo e todos ao lado de Mally, fugindo para as profundezas do reino e de si mesma. Mas enquanto encontra-se escondida, o Darkling expande seu reino de sombras e ameaça finalmente dá um ponto definitivo para a Dobra das Sombras. Agora, fragilizada por tudo e por todos que perdeu, a garota precisará embarcar em uma busca definitiva atrás do Pássaro de Fogo, o amuleto final que lhe garantirá o poder necessário para derrotar seu inimigo, ou pelo menos é isto que ela aguarda conseguir. Mas novas reviravoltas podem alterar inteiramente não só seus planos, como também seu destino.

Narrado em terceira pessoa, o foco da história é totalmente sobre o ponto de vista de Alina. E isso não é ponto negativo. Pelo contrário! Na escrita de Bardugo esta é só mais uma soma espetacular de sua genialidade, segurando o leitor cada vez mais nas páginas e fazendo-o imaginar que outros acontecimentos estão por vir. Dotado de um cenário gótico clássico, o mundo de Bardugo ganha maior destaque ao final da trilogia, sem pecar em qualquer momento com excesso de informações ou falta delas. Tudo na medida certa. Até o romance, já assunto batido em diversos livros, não se torna cansativo ou lento, mas pelo contrário, fica cada vez mais envolvente e atrativo. Seus personagens, perfeitamente construídos, garantem ainda mais a segurança da autora. Alina é a protagonista das protagonistas. Sua forma humanizada, ora destemida, ora desestimulada, demonstram suas melhores qualidades. Após acompanhar tanto de sua história, é impossível não torcer por um desfecho feliz para ela, como também ficar na expectativa tensa a cada cena de adrenalina a qual ela participa. São 300 páginas ao lado de uma personagem leal, amiga e íntegra, que jamais refuta seus ideais.


Outra característica legal da personagem é sua suposta brincadeira entre o antagonismo e o protagonismo. Quebrando os estereótipos e diferenciando-se de outras mocinhas distópicas, Alina é a personagem dividida entre o mal e o bem, sem negar um só momento esta divisão. O jogo de poder, tematizado ao longo do enredo, não só retrata boa parte da trama, como também centraliza-se na batalha interior da própria protagonista, que está sempre lutando contra seus impulsos, ora altruístas, ora egoístas. Mas ela não é a única que se destaca. O príncipe mais FODA deste mundo também teve seu maior empenho neste livro, e embora sua participação no segundo livro tenha sido maior, neste, o personagem pareceu muito mais contextualizado, garantindo os diálogos mais engraçados de toda a obra. Nicholai, o personagem ao qual mais me identifiquei, é mais um personagem incrível que a autora deu criação. Até mesmo Mally, par romântico da protagonista, que nos livros anteriores, meramente parece um impostor em sua própria história (por estar sempre fazendo dramas desnecessários), ganhou seu destaque desta vez, sem perder o brilhantismo. Sua desenvoltura foi tão grandiosa que até eu mesmo, antes contrário a ele, passei a vê-lo com outros olhos (e confesso, torci por ele também). Não no esqueçamos do famoso Darkling, o antagonista, e a velhinha nada amigável, Baghar.Darkling de antagonista não tem nada. vale esclarecer. Aprofundando-se um pouco mais em sua história, desta vez vemos as realidades que o personagem precisou enfrentar e só então percebemos o porquê de suas escolhas. Baghar, a mulher amargar e altamente egoísta, apresenta os diálogos mais filosóficos e sinceros de todo o livro, com um toque de sabedoria que pessoalmente, acredito que só a personagem poderia ter. Bardugo foi inteligente ao ponto de não deixar ponta solta alguma, e ainda conseguiu abordar temáticas polêmicas (como homossexualidade) com grandiosidade, sem parecer forçada ou descabida.

Ruína e Ascensão foi a cereja do bolo. Em uma edição completamente linda, diferente de todos os volumes anteriores, trouxe uma cor bem mais viva a capa e muito mais chamativa. Bardugo deu um fim perfeito para todos os seus personagens, em um enredo encantador e uma narrativa totalmente marcante que com toda a certeza, fixa sua permanência eterna no universo literário de melhores séries que tive o prazer de conhecer. Alina e suas aventuras irão deixar uma saudade incontrolável com aquele gosto especial de "não pode acabar, não ainda".

Confira as demais resenhas da trilogia clicando nas imagens abaixo:


http://www.skoob.com.br/sombra-e-ossos-328784ed368339.htmlhttp://www.skoob.com.br/sol-e-tormenta-384689ed435242.html



Até logo, 
David Andrade

13

Resenha #139: Poder, Estilo e Ócio - Joyce Pascowitch

Título: Poder, Estilo e Ócio
Autor: Joyce Pascowitch
Editora: Intrínseca
Gênero: Comportamento / Estilo de vida / Memória
Ano: 2015
Páginas: 176
ISBN: 9788580578461
Adicione

Avaliação: 





RESENHA



O livro da Joyce Pascowitch é dividido em três partes e que juntas dão título ao livro: Poder, Estilo e & Ócio, um livro diferente dos demais escrito pela autora, justamente porque foi escrito integralmente com o proposito de se tornar livro enquanto os outros são em sua maioria matérias e textos produzidos para outros veículos em que ela trabalhou, como por exemplo Folha de S. Paulo, Época e a revista Quem. Hoje em dia ela mantém o website Glamurama (sobre luxo e a alta sociedade) e edita as revistas Joyce Pascowitch e Poder.

Na primeira parte do livro, Poder, ela se debruça sobre o seu inicio de carreira como jornalista quando fazia matérias politica e narrava sobre os bastidores de brasília. Tendo a oportunidade de estar presente na pose de um presidente americano e em três presidentes brasileiros - inclusive já andou no morcego negro, o avião do PC Farias. Ela mostra que têm experiencia no que fala, não se deixando intimidar com os poderosos brasileiros, citando-os como exemplos de bom uso do poder que possuem ou não.

Em estilo ela fala de moda, de se vestir bem e de forma confortável e ressalta o poder e as impressões que uma grife renomada causa nos outros quando chegamos vestidos bem em algum ambiente, dos cuidados com o corpo e com a mente.

Já em ócio é onde ela foca mais no seu lado pessoal e no que gosta de fazer e claro em suas viagens. Para quem não sabe, a Joyce já esteve em 20 países, e só na Grécia esteve 12 vezes, então ela usa isso para comentar lugares incríveis e recomenda-os para os seus leitores de uma forma bem descontraída e relax.


Poder, Estilo & Ócio é um livro de estilo de vida que também funciona como um guia de viagens, até no final temos um índice de indicações da própria Joyce com localizações e contatos de alguns lugares que ela já visitou. A impressão que fica é que ela sabe muito bem como aproveitar a sua vida; quando livre foge de tudo ligado ao trabalho enquanto no trabalho consegue juntar a vida profissional com gostos pessoais de forma proveitosa.

Tudo é narrado em primeira pessoa, em pequenos textos que poderíamos classificá-los como pequenas crônicas de experiencias pessoais, isso carregado de uma leveza que deixa a leitura com um gostinho de "quero fazer isso um dia"; é de causar inveja, de certo modo.


Dicas de como arrumar uma mala, de como desfrutar o tempo livre de forma a restabelecer as energias e criatividade (ócio criativo), dicas literárias e até mesmo o tema religião é abordado de uma forma a não desmerecer outras já que a autora consegue muito bem respeitar e aderir ao que de bom tem a oferece cada uma das religiões citadas e sem fugir de suas origens judias.



Recomendo fortemente para quem curte uma leitura bem alto astral, cheia de humor e leveza. Poder, Estilo & Ócio é um livro para ler hoje e consultar amanhã, sem compromisso com nada nem ninguém e que tem uma grande chance de agradar em sua maioria as mulheres que terão uma maior identificação com o que a autora escreve.

Toda mulher tem uma alegria e um charme independentes de seu peso.
A diagramação da intrínseca está divina, a capa é semi-dura, as folhas recebem cores diferentes com uma fonte em tamanho agradável e inúmeras ilustrações feitas pela artista Maria Eugenia além de fotos do próprio acervo pessoal da Joyce Pascowitch.


Até logo!

15

{Viagem à Terra Média #2} Impressões da 1° Semana

Olá, tudo bem?


Uma semana se passou e a leitura de A Sociedade do Anel fluiu bem mais do que eu imaginava. Consegui atingir a meta semanal já na segunda-feira e pude ficar um pouco livre para agilizar algumas leituras pendentes com folga, coisa que não esperava.

Click na imagem para ir ao post de apresentação do projeto
Comecei a ler no dia 14 com certo receito de não gostar tanto da leitura e claro, achar aquilo muito arrastado como tantos por aí falam. Acontece que o Tolkien tem fama de descrever até uma formiguinha carregando uma folha na cena em questão. Okay, não sejamos tão extremistas assim, ele até que é bem detalhista, mas considera isso um ponto bem positivo porque me dá uma amplidão do que está a se passar.

Bem, pessoal...
Diferente do Pedro, eu não fui tão disciplinado nessa primeira semana. No dia 14 (começo do projeto), eu estava finalizando uma leitura e preferi deixar parar iniciar os trabalhos dois dias depois, o que me atrasou bastante. Durante os primeiros dias, eu acabei priorizando outros livros e deixei para concluir a meta no fim da semana (o que quase não deu certo).

Acho que o primeiro ponto que preciso destacar, é a construção de  mundo. Eu não estou acostumado a ler fantasias com frequência. E, como esperado, acabou sendo um choque embarcar nessa história tão diferente de tudo que já li. Como o Pedro disse, o Tolkien é famoso por ser bem descritivo, mas isso não me incomodou em nada até o momento. Nessa introdução da história, o cenário construído por ele foi essencial para mostrar ao leitor o ambiente que ele propõe.



No inicio do livro, cerca de 20 páginas são dedicadas a uma longa apresentação e recapitulação dos fatos anteriores a essa história que está contida no livro O Hobbit, livro do qual eu ainda não li e que por sinal fiquei um pouco perdido com nomes e lugares, mas o Tolkien fez isso justamente para que pessoas que não o leram fossem introduzidas ao seu mundo.

O prefácio esclarecedor do livro me agradou bastante. Percebemos a preocupação do autor em deixar claro que o momento histórico no qual os livros foram escritos (2ª Guerra Mundial), não influenciou em nada a história, mesmo os cenários de guerra.

O que me incomodou um pouco foi o resumo de O Hobbit que o autor decidiu fazer no prólogo, para apresentar aos leitores que não leram a obra, pontos importantes da trama. Como eu tinha lido a primeira aventura de Bilbo, eu percebi a infinidade de spoilers que esse prólogo contém! Então, a minha recomendação para os leitores é: se não leram O Hobbit, pulem o prólogo, pois é certo que este irá  atrapalhar a experiência de leitura de vocês.

Em seguida, O Senhor dos Anéis se inicia, com a apresentação de Bilbo Bolseiro já com 111 anos e seu sobrinho Frodo com 33, ambos com os preparativos para a grande festa de aniversário. Estando muito velho, Bilbo decide (relutante) que está na hora de ir terminar de viver a vida e escrever seu livro longe do condado e claro passar o anel para seu sobrinho que não sabe muito sobre isso.  No Segundo capitulo, Gandalf conta a história dos anéis de poder e alerda Frodo dos perigos que rodam o anel que ele possui e o uso do mesmo, que por sinal é um dos mais poderosos e que o ex-dono anda a procura. Então para não correr grandes perigos, Frodo precisa sair do Condado ao encontro do Sr. Merry e irá ajudá-lo nessa nova aventura. Em suma e de forma bem resumida foi isso o que aconteceu até então.



Mais uma vez, o Tolkien inicia a história com uma grande festa, que, como já percebemos, é a paixão dos Hobbits.

Nesse começo do enredo, o autor focou em apresentar os personagens detalhadamente, com o objetivo (creio eu), de fazer com que os leitores se apeguem a alguns deles.

Até onde li, o narrador onipresente e onisciente cumpriu bem o trabalho de instigar o leitor a conhecer e entender mais sobre o mundo mágico que ele descreve.

O que espero dos próximos capítulos?

Tolkien está construindo tudo aos poucos e expandindo muito o seu universo, novos personagens aparecem ao longo dos capítulos (até elfos já apareceram) e isso tá sendo maravilhoso, mas o que realmente espero é pelos grandes seres mágicos, pelas batalhas e claro, quero chegar ao momento em que o anel revela seu poder (se é que isso acontece). Também tem um cavaleiro misterioso que anda a procura de Frodo, ainda não tenho uma boa imagem formada dele, mas já sei que não gosto.

Os primeiros capítulos deram o gostinho do que está por vir. Também espero os grandes cenários mágicos e as batalhas épicas, e acho que estamos sendo preparados para isso. Tenho grandes expectativas, e posso dizer que gostei muito do que li!

Enfim, é isso o que temos para falar até então. Continuamos empolgados com essa obra que já se mostra grandiosa!



Nas próximas semanas:

2° Semana (21 a 28 de Janeiro):
Até o capitulo XII – Página 209


3° Semana (28 a 4 de Fevereiro):

Até o capitulo IV Uma Jornada no Escuro – Página 312



4° semana (4 a 11 de Fevereiro):

Finalizar o primeiro livro



Até logo!

Pedro Silva
Plínio Mendes 

20

Resenha #138: Cure Meu Coração - Melissa Walker


Título: Cure Meu Coração
Autor: Melissa Walker
Editora: Farol Literário
Gênero: Jovem Adulto
Ano: 2015
Páginas: 272
ISBN: 9788582770450


Adicione


Avaliação:



Resenha:


Clementina Williams é uma adolescente com seus 16 anos de idade que nos verões sempre sai de férias com sua família para velejar a bordo do "Tudo é Possível". Esse ano seria uma boa viagem se a vida da Clem não estivesse desmoronando pelos últimos acontecimentos ▬ que por sinal é um mistério para o leitor, a única coisa que sabemos é que envolve algo grave no colégio e a sua melhor amiga Amanda.


No inicio encontramos uma garota toda emotiva, que tem lapsos de memórias que a deixa bem triste, tornando ela depressiva. Sua família tenta mudar essa situação, no entanto, sem tanto sucesso assim. Dessa forma, a mãe lhe aconselha escreve uma carta para a Amanda tanto para se libertar quando para se reconciliar com a outra, visando conservar a amizade a amizade forte que elas tinham antes do ocorrido. Clem tenta, mas não faz ideia de por onde começar ou o que de fato deveria escrever, levando sempre a rasgar as cartas que começa em seu diário.


Durante esses dois meses no mar, em uma das paradas da família em um porto, ela acaba conhecendo um rapaz ruivo chamado James. Ele é lindo, alto, charmoso, um tanto desengonçado, amável e fica praticamente 100% presente na viagem da Clem, fazendo com os dias da garota passem a ser menos difíceis. Aos poucos, o coração da garota vai se curando e os seus mistérios são revelados ao leitor por forma de flashbaks.

Cure Meu Coração, como o título já diz, é um livro que fala de amores perdidos, corações partidos e auto-perdão. Ao iniciar a leitura, a Clem era uma personagem bem abusadinha, do tipo que olha para uma nuvem e descreve uma lágrima caindo, o que é até compreensível quando estamos passamos por uma situação triste, mas ao logo do livro ela vai se restabelecendo, e nos mostra que é mais forte e mais confiante do que a garota do inicio, nos deixando apaixonados por seu temperamento divertido. Além dela, outra personagem que ganha destaque é a irmã de 10 anos, Olive, super fofa e que tem uma relação e ligação com a Clem muito amável. Seus pais também são assim e tentam sempre apoiar e animar a jovem. Não é só a relação com sua família que é bem real, mas ao todo é tudo muto plausível de acontecer e acho que principalmente as jovens nessa idade se identificarão com a Clementina.


Eu realmente gostei desse livro, é um Jovem Adulto que modera bem em suas nuances, mas sem muito fugir da macies e delicadeza que a capa transparece. Melissa Walker também costuma velejar e soube bem dosar um pouco de drama, romance e por que não comédia dentro de seu livro, que a proposito é o primeiro publicado no Brasil (apesar de haver outros).

A diagramação da Farol Literário está super caprichada, a folha de guarda está na cor verde, e como separador de capítulos temos um barquinho. A folhas são amarelas, com fonte e espaçamento de tamanhos super agradáveis. Recomendo o livro para ler no verão (ou no inverno lembrando do verão?) já que ele tem um clima bem praiano e é super leve. Ah, e não esqueça de um bloquinho de notas e caneta para anotar a playlist da Clem!

Até logo!

13

Resenha #137: Auggie & Eu - R.J. Palacio



Lido em: Janeiro de 2015
Título: Auggie & Eu
Autor: R.J. Palacio
Editora: Intrínseca
Gênero: Infanto-Juvenil
Ano: 2015
Páginas: 326

Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:    





Resenha:

Publicado recentemente pela Editora Intrínseca, Auggie & Eu nos trás a junção de três histórias extraordinárias, escritas originalmente em formato de e-books, publicados após o grande sucesso de vendas do livro Extraordinário. Antes de mais nada, devo salientar que este livro não é uma continuação da obra supra citada, mas sim um complemento da mesma, onde a autora, R.J. Palacio, possui total liberdade para escrever acerca dos personagens secundários, pouco abordados em Extraordinário. 

Segundo a própria autora, diversos leitores a questionaram sobre a continuação da obra, se haveria uma sequência/expansão do mundo criado por ela. Após tantas sugestões, a mesma decidiu que não deixaria a oportunidade passar: mergulharia de cabeça e traria a seus leitores mais conteúdo, em especial sobre Julian, personagem mais detestado entre os fãs de Extraordinário. Sendo assim, nada mais justo do que ele ser o 'dono' do primeiro 'conto', não é mesmo? 


O Capítulo de Julian

A primeira história que nos é apresentada é a de Julian. Se você já leu Extraordinário, deve lembra-se claramente dele. Julian foi o responsável, em grande parte, por todos os problemas sociais que Auggie Pullman teve que enfrentar ao entrar na sua nova escola. Entretanto, durante a narrativa, descobrimos os reais motivos que o levaram a ser tão cruel durante todo o decorrer do enredo do livro principal. Fantasmas do passado voltam para assombrar Julian, e é aí que percebemos que, quando avaliamos uma situação por apenas um ângulo, podemos acabar nos enganando.


Antes mesmo da leitura do conto, na introdução do livro, R.J. nos explica que, enquanto escrevia Extraordinário, sabia que Julian tinha uma história para contar, mas que também sabia que sua história de bullying, ou o que o levara a agir daquela forma, tinha pouca importância para Auggie e não impactaria na narrativa, portanto, não pertencia àquele livro. Auggie teria que ser o personagem principal de sua própria história! Sendo assim, com essa vontade insaciável de expôr aos seus leitores os sentimentos mais profundos de seus personagens, ela decidiu escrever mais este livro, um prato cheio para seus fãs. O Capitulo de Julian explana um pouco mais sobre a personalidade desse personagem que pouco é aprofundado em Extraordinário.

Um novo começo nos dá a chance de refletir sobre o passado, pesar as coisas que fizemos e aplicar aquilo que aprendemos com isso em nosso novo caminho. Se não examinarmos o passado, não aprendemos com ele.

Se analisarmos criticamente o que nos é passado neste capítulo, encontraremos o seguinte pensamento: ninguém é puramente bom ou ruim. Somos uma mistura de ambos, tal como o Yin-Yang. Além disso, nos emocionamos também com outras histórias paralelas, que nos contam que ser gentil sempre é a melhor solução.

Plutão

O segundo conto, Plutão, nos fala sobre Christopher, o amigo mais antigo de Auggie, que se mudou para outro bairro muitos anos antes dos acontecimentos de Extraordinário. É nele que podemos ter uma noção do Auggie antes da Beecher Prep. Christopher, através de sua narração, nos conta como foi estar ao lado de Auggie durante seus primeiros anos de vida. Ele acompanhou as primeiras dificuldades do garoto, como suas primeiras cirurgias para correção de seu problema facial, o sumiço gradativo dos seus amigos, que parecem desaparecer do seus dias sem deixar rastros, entre outros fatos tristes que circundam a vida do August.  


E, quando amigos precisam de nós, fazemos o que podemos para ajudar, certo? Não podemos ser amigos só quando é conveniente para a gente. Boas amizades valem um esforcinho a mais!

Agora, mais velho, Christopher encara o que pra ele são considerados problemas ao ser amigo de Auggie: os olhares, a reação constrangida de outras pessoas, a ignorância e falta de educação de outros, etc. Torna-se tentador abandonar uma amizade quando se torna mais difícil sustentá-la, mesmo nas melhores das circunstâncias. É nesse clima de 'teste de lealdade' que embarcamos nesta segunda história de Auggie & Eu.   



Shingaling

Shingaling é a terceira e última historia de Auggie & Eu. A protagonista deste conto, Charlotte, é uma menina que, desde sempre, foi considerada altruísta. Mesmo tendo 'medo' - e, ao mesmo tempo, admiração - do velho senhor cego que tocava acordeão por onde ela passava todos os dias, não deixava, nem uma vez sequer, de depositar no estojo dele um dólar. Ou também quando, nos invernos, sempre fazia uma campanha de arrecadação de casacos para doar aos moradores de rua. Podemos considerá-la como uma menina realmente aplicada, excepcionalmente boa.

Em Extraordinário, Charlotte fez parte do grupo de boas vindas ao August Pullman. Mesmo mantendo-se à distancia dele, a mesma nunca, nem uma vez sequer, o maltratou. Charlotte se mostrou uma menina muito centrada, com seus preceitos de vida muito bem definidos.


É estranho como você pode conhecer uma pessoa a vida toda sem realmente conhecê-la.



Entretanto, havia em seu interior uma espécie de desejo para estar entre a 'turminha dos populares', em especial, ser amiga da Ximena, a garota mais legal do quinto ano. Após passar na audição para apresentação de dança da Sra. Atanabi, Charlotte se vê frente à frente com Ximena (e Summer, que também passou no mesmo teste), e as três começam, aos poucos, a interagir entre si. Acompanhamos o crescimento de uma amizade secreta entre as três, que por pressão social, fica realmente em segredo.

Durante o decorrer da narrativa, descobrimos um fato sobre Ximena, que certa vez fez alguns comentários preconceituosos acerca do nosso August, que ficamos boquiabertos com tamanha hipocrisia. Entretanto, após conversar com suas amigas, percebe o quão tola estava sendo, conseguindo assim evoluir e se tornar uma pessoa, no mínimo, razoável. Simplesmente uma reviravolta inimaginável. Shingaling é um conto de leitura fácil e rápida, que arranca de nós, leitores, uma lágrima carregada de emoção. Simplesmente um belo conto.

xxx

Uma das coisas que mais chamou minha atenção foi a introdução da obra. Nela, podemos 'ouvir' um pouco da autora, suas palavras nos falam. Tocou meu coração a forma como ela valoriza não apenas sua obra, mas seus fãs. R.J. Palacio nos conta que nunca escreverá uma continuação para Extraordinário, já que vários leitores - em especial, crianças -  já formularam prováveis finais para Auggie, teorias defendidas com enorme autoridade, quase que de forma empírica. "E por que eu escreveria uma sequência e limitaria todas essas opções? Auggie, até onde sei, tem um futuro brilhante e maravilhoso pela frente, com infinitas possibilidades, todas igualmente grandiosas". ISSO NÃO É LINDO? QUANTA CONSIDERAÇÃO *-*

De forma geral, o livro consegue ser profundo mas ao mesmo tempo sublime, fazendo com que nós, leitores, nos sintamos mais atraído pelos personagens, até mesmo os que, outrora, eram considerados 'vilões'. Assim como em Extraordinário, R.J. Palacio consegue narrar com maestria a história que está proposta a passar, sempre deixando excelentes ensinamentos. Se você, assim como eu, amou conhecer o Auggie e toda sua vida, devo informar que você precisa - sim, precisa - ler este livro. Uma experiência mais que deliciosa! ;)

Até logo,
Sérgio H.


1

{Viagem à Terra Média #1} Apresentação

Olá, galera!

Já tem algum tempo que eu o Plínio, do blog Entre Séries & Livros estávamos planejando realizar uma leitura coletiva e decidimos que já estava mais do que na hora de parar de adiar e tirarmos nossa trilogia "Senhor dos Anéis" da estante, já que consideramos o Tolkien um autor necessário para a vida de qualquer leitor!



4

TOP #5: Leituras para 2016

Olá, pessoal! Como vão vocês?


Bom, eu estava um pouco sumido do blog, não é mesmo? Vez ou outra, aparecia com alguma resenha e depois sumia novamente. Primeiramente, gostaria de me desculpar. Minha vida se tornou uma correria e estava tentando achar uma maneira de conciliar trabalho, universidade, namoro, família e tudo que uma vida -adulta- tem a nos oferecer. Sinceramente, gostaria de ser criança novamente. Entretanto, como isso não é possível, vou vivendo minha vida no ritmo que consigo levar. Creio que agora estou um pouco mais organizado e conseguirei aparecer com mais frequência por aqui. Hoje, trago para vocês uma lista contendo cinco livros que possuo e que ainda não li, mas que não passarão deste ano. Espero que vocês gostem da minha seleção. Depois comenta aí o que você achou, hein? Quero saber a opinião de vocês! ;)



5. Inferno - Dan Brown



Ganhei o meu exemplar do livro em questão de presente de aniversário ou natal, não me recordo bem, mas lembro-me que foi na virada de 2013 para 2014. Como vocês podem perceber, já possuo esta obra há um bom tempo, e como fiz uma nova meta para 2016, de reduzir a pilha de livros não lidos, decidi investir naqueles mais antigos, que estão comigo há mais tempo. Sendo assim, optei por incluir Inferno nesta lista não apenas por ser um livro que trata sobre temas que gosto, estar na fila de leitura há tempos ou ter sido um presente de Pedro, mas também porque quero muito ler o livro antes de assistir sua adaptação, que será lançada em Outubro. Espero gostar bastante, já que li outras obras do Dan Brown e recordo-me de ter adorado! ;)






4. A Garota no Trem - Paula Hawkins


A Garota no Trem, de Paula Hawkins, recebi de 'presente' do Grupo Editorial Record. Há algum tempo, descobri que o livro seria adaptado para cinema, e vocês devem ter alguma noção do meu espanto (no bom sentido) ao saber que o filme seria exibido nos cinemas neste ano! Decidi, então, que teria que lê-lo antes do filme; li diversas resenhas e soube imediatamente que este seria um daqueles livros de tirar o fôlego. Espero poder ter chance de começar a leitura o mais breve possível, para poder me surpreender com as reviravoltas elaboradas pela autora.









3. O Demonologista - Andrew Piper


Embora tenha lido inúmeras resenhas negativas acerca desta obra, não consegui resistir a tentação de ter este maravilhoso exemplar em minha prateleira. Logo que vi O Demonologista pela primeira vez, senti uma paixão incomensurável pela edição. A lombada, a capa dura, as folhas internas... tudo parecia perfeito. Li a sinopse e fiquei ainda mais curioso acerca dos segredos que o livro guarda. Decidi então coloca-lo em minha lista de livros desejados e em Dezembro de 2015 tive a chance de adquiri-lo. 

Obs: Pretendo lê-lo ainda no mês de Janeiro! Resenha em breve, hein?







2. Trash - Andy Mulligan



No mesmo momento em que estava comprando o livro acima, decidi colocar também no carrinho Trash. O livro, que inspirou a adaptação cinematográfica brasileira, aparenta ser bastante envolvente. Lembro de ter assistido ao filme no cinema, embora não tenha prestado tanta atenção no enredo. Creio que minha falta de concentração, neste caso, foi algo bom: mesmo eu tendo saído do cinema sem entender muito coisa sobre o filme que havia acabado de assistir, poderei agora ler o exemplar como se não soubesse de nada que acontecerá. É como dizem: "A ignorância (ou a memória fraca) é uma dádiva". 








1. O Mundo de Sofia - Jostein Gaarden


Por último, mas não menos importante, está O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarden. Por mais incrível que possa parecer, possuo uma edição que minha mãe ganhou de presente de minha tia quando eu tinha apenas 02 meses de idade. O livro está em perfeito estado de conservação e desde 2013 tento lê-lo, mas todas as minhas tentativas foram fracassadas. Sim, eu já tentei iniciá-lo uma vez, mas admito que o tamanho do livro me espanta um pouco. Além de possuir um número de páginas acima do que estou acostumado a ler, o enredo, que possui diversos pensamentos e correntes filosóficas, aparenta ser complexo e bastante denso. Creio que esse será um dos meus maiores desafios de 2016 e, felizmente, estou pronto para encará-lo.






Até logo,
Sérgio H.

1

Retrospectiva literária de 2015 e três metas para 2016!

Olá, leitores.

Ciclos acabam outros se iniciam. Em 2015 tive muitas experiencias literárias, e a maioria delas compartilhei com vocês aqui no blog, com isso, venho neste post explorar uma retrospectiva do ano que acabou e criar algumas metas para o atual. Para isso, contei com a ajuda do queridinho dos leitores: o Skoob.

Click na imagem para conferir todas as minhas leituras

Foram 117 livros lidos. Não vou explorar cada um deles aqui no post porque a maioria ganharam postagem com minhas impressões. Vou mostrar algumas metas pessoais que eu tinha para 2015, coisas que não havia compartilhado com o mundo e dentro de cada meta os melhores. 

Lendo nacionais

A primeira delas era a de tentar conhecer o máximo da nossa literatura, lendo as obras de nossos autores e até que me sai bem nesse quesito; foram 58 nacionais, um número bem alto para competir com as outras nacionalidades e o melhor, consegui tirar o foco da literatura norte-americana:




Alguns dos destaques nacionais:
Adriana Falcão, Queria ver você feliz: Resenha;
Adriana Lisboa, Um beijo de Colombina: Resenha;
Letícia Wierzchowski, Navegue a lágrimaResenha;
Walter Tierno, Cira e O Velho: Resenha;
Milton Hatoum, Dois Irmãos: ainda sem resenha;
Gregório Duvivier. Put Some Farofa: Resenha (por Elidiane Galdino).

Lendo mais mulheres

Em 2015, graças a grupos engajados como o clube #LeiaMulheres, abri meus olhos para as minhas leituras e parei de selecionar de forma aleatória o que iria ler, dando atenção para quem estava escrevendo e de onde viera. Com isso pude conhecer outras vozes e novas visões do mundo. Não que haja uma especifica literatura só feia por mulheres ou que só elas saibam fazer, muito menos estou dizendo que gênero interfere na qualidade literária. Não é nada disso, mas ao abrir espaço para autoras femininas não só na minha estante, mas também nas LEITURAS, me deparo com livros que abordam mais o mundo feminino. É importante destacar essas mulheres que fazem a literatura e principalmente aquelas que começaram a abrir espaço para as contemporâneas quando havia repreensão e eram obrigadas a se esconderem por traz de um pseudônimo que nada revelava sobre suas personalidades. As mulheres têm muito a oferecer na literatura! 

O número de mulheres ainda foi inferior aos homens, mas minha intenção não é APENAS LER MULHERES, isso séria como colocar um cabresto e limitar minha visão, gosto de explorar horizontes, e o que me propus foi igualar um pouco as leituras, o que deu certo, 49 é um bom número. Entre as autoras, além das que já citei anteriormente, destaco:

Anita Deak, Mate-me quando quiser: Resenha;
Sylvia Plath, A Redoma de Vidro: Resenha;
Vanessa Barbara, Operação Impensável: Resenha;
Íngrid Betancourt, A Linha Azul: Resenha;
Paula Gicovate, Este é um livro sobre amor: Resenha;
Maria Clara Drummond, A festa é minha e eu choro se eu quiser: Resenha;
Luize ValenteUma Praça em Antuérpia: Resenha;
Harper LeeO Sol É Para Todos: Resenha em breve;
Louisa May AlcottMulherzinhas: Resenha em breve;
Angélica FreitasUm Útero É do Tamanho de um Punho: ainda sem resenha.


Metas para 2016

O post não deve ficar muito longo, por isso não vou me estender tanto com as metas até mesmo para não me comprometer tanto.

  1. #LeiaNossaLíngua: além dos brasileiros, quero conhecer os autores de outras nacionalidades que escrevem em português;
  2. Projeto #DietaLiterária: Falhei miseravelmente ano passado, mas quero recuperar esse hábito até a pilha diminuir;
  3. The Book Jar: tentar ao menos uma vez por mês retirar um livro da TBR. 

Com isso, tenho só gratidão pelo ano que passou. Ponho confiança em 2016 para que ele me traga bons momentos literários e na vida real. Espero tornar essas metas parte essencial da minha vida como leitor, que seja algo tão natural quanto o habito da leitura.

E você, já parou para pensar no que está lendo? Já fez metas para 2016?

Até logo!


1

Resenha #136: Me Abrace Mais Forte - David Levithan

Lido em: Dezembro de 2015
Título: Me Abrace Mais Forte
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção/Musical
Ano: 2015
Páginas: 224

Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:    


  Resenha:

Creio que posso falar em nome de todos os fãs de David Levithan que não há quem odeie o Tiny Cooper. Sendo considerado um personagem secundário da trama de Will & Will, escrita pelo David, juntamente com o tão famoso autor de A Culpa é das Estrelas, John Green, Tiny Cooper recebeu seu tão desejado estrelato, atuando como protagonista do livro que será resenhado hoje, Me Abrace Mais Forte, publicado no Brasil pela Editora Galera Record.

O livro em questão funciona não como uma continuação de Will & Will, mas como um complemento dele. Presumo que todos ou grande parte dos leitores que tiveram a chance de conhecer as histórias dos Will's ficaram com uma pontada de curiosidade com relação ao musical do Tiny Cooper, que durante todo o enredo foi trabalhado no plano secundário, embora que bastante presente em toda a narrativa, enquanto os dois protagonistas resolviam suas pendências, sejam elas amorosas, familiares ou de qualquer outra ordem. Eu, ao menos, fiquei com essa pulga atrás da orelha até o final do 'primeiro livro', e me senti um pouco chateado quando soube que nenhum dos dois autores iriam explorar e nos revelar esse maravilhoso mundo de Tiny, contando-nos, através do musical tão assíduo na narrativa, sua história de vida.

"Decidi enfrentá-los na fonte dos medos deles: o vestiário. É uma coisa que não entendo: o pesadelo de quase todo sujeito homofóbico é ficar nu em um vestiário com um gay. Mas tipo, qual é o problema? Depois de eu ralar pra cacete em um treino, a ultima coisa que quero é uma rapidinha no chuveiro, e ainda por cima com todo mundo olhando. Não dá, né. Cai na real. Se eu for me apaixonar por você, vou fazer do jeito certo. Vou te convidar para sair, não sair correndo com sua toalha."


Vocês nem imaginam o quão feliz fiquei ao saber que meu autor favorito, o Levithan, iria publicar esse 'segundo livro' para a alegria de seus leitores. Realmente não esperava que tal fato acontecesse, então não demorei e resolvi solicitar este livro o mais breve possível à Galera. Assim que o peguei em mãos, já comecei a devorá-lo. Me abrace mais forte é narrado, quase que de forma integral, como uma peça de teatro. Sendo assim, o enredo flui de uma maneira singular, e as páginas deslizam por entre nossos dedos.

O livro se inicia com o nascimento de nosso protagonista. No decorrer da narrativa, vamos conhecendo um pouco mais sobre o mesmo e sobre aqueles que fazem ou um dia fizeram parte de sua vida, como sua babá lésbica, seu melhor amigo de infância/adolescência ou então seus 18 (sim, dezoito) ex-namorados. 


Embora seja um livro curto e de fácil compreensão, Me Abrace nos traz diversas mensagens e aprendizados para a vida, seja de forma implícita ou explícita. O autor consegue dissertar acerca de preconceito, autoconhecimento, sexualidade, amizades verdadeiras, sonhos de vida e diversas outras questões com maestria, mas sem precisar recorrer a vocábulos de maior complexidade ou ser apelativo.

 "Mamãe e Papai não podem me fazer ficar hétero, tanto quanto não podem me fazer ficar baixinho. Existe uma coisa chamada biologia, e é ela que manda. Mamãe e Papai sabem disso. Outras pessoas, não."

Assim como todos os outros livros do autor publicados pela Galera Record, a edição do exemplar está impecável. Entretanto, tenho que ressaltar que fiquei um tanto chateado quando percebi que as páginas do livro eram brancas, e não amareladas, que tornam o exemplar bem mais apresentável. De toda forma, a leitura desta obra está mais que recomendada. Saliento ainda que este é um daqueles livros para ler 'em uma sentada' e, que de uma forma ou de outra, consegue arrancar sorrisos - e até risadas - de você. Entre você também no mundo de Tiny Cooper!

Até logo,
Sérgio H. 

0

Resenha #135: Tesourinha e a Bruxa - Diana Wynne Jones

Lido em: Dezembro de 2015
Título: Tesourinha e a Bruxa
Autor: Diana Wynne Jones
Editora: Galera Record
Gênero: Infantil
Ano: 2015
Páginas: 128

Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:    



Resenha:

Tesourinha e Bruxa é um livro do gênero fantástico e infantil. Nele, vamos conhecer a órfã chamada Tesourinha. Ela é uma menina muito sapeca e acha que o mundo gira em torno de si, tanto é que convenceu a todos no orfanato a realizarem o que ela deseja. Lá, ela tem a companhia de seu melhor amigo, o Pudim, que só tem um defeito: ser medroso, além da presença constante das outras crianças. 


Tudo começa com um dia de visita dos candidatos a pais no orfanato da St. Morwald, onde Tesourinha mora, de onde ela não quer sair, justamente por já ter se habituado ao ambiente e também por já ter conseguido que os demais se moldassem aos seus caprichos. Mas nesse dia de visitas, um casal estranho se interessa por Tesourinha, a levando contra sua vontade para morar com eles. O que ela desconfiava, mas não tinha certeza, se confirma: os novos pais eram na verdade bruxos e sua nova mãe não queria ela como filha, mas sim como serva. Junto com a ajuda do gato Tomás, ela terá que fazer algo para mudar o que está vivendo e escapar das garras da mãe-bruxa.


Em mais um livro a Diana Wynne Jones confirma o seu posto de uma das melhores contadoras de histórias fantásticas. O enredo pode parecer simples e bobo, mas aí que estão os grandes detalhes mágicos que tornam o seu livro especial. A narrativa é em terceira pessoa, explorando de uma forma leve e descontraída os acontecimentos, como deve ser para uma criança. O livro consegue ser engraçado e dinâmico com detalhes ao longo de todas as páginas e inúmeras ilustrações que enriquecem a imaginação do leitor. 

Tesourinha e a Bruxa é um livro para se ler em voz alta para uma criança, principalmente numa cama em um dia de chuva, envoltos em lençóis. Boa leitura!

Até logo,
Pedro S.

2

Resenha #134: Corações de Alcachofra - Sarah Brahmachari



Lido em: Dezembro de 2015
Título: Corações de Alcachofra
Autor: Sarah Brahmachari
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção
Ano: 2015
Páginas: 320

Adicione esse livro ao Skoob

Avaliação:    

   


Resenha:

Eu já disse que adoro invadir o espaço de vocês, né? - risos. Pois é, voltei. Dessa vez, resenhar para vocês um livro bem diferente, que de certa maneira me surpreendeu. Espero que gostem.

Fofo, triste e tocantes, são os sentimentos que podemos descrever o romance escrito por Sarah Brahmachari. Corações de Alcachofra é uma história que narra a trajetória e o crescimento de uma menina meiga, determinada e tímida, tentado lidar com as realidades enfrentadas agora, na vida pré adulta.

Na trama conheceremos Mira, uma garota talentosa e tímida, que acaba de ingressar no ensino fundamental II e esta tentando lidar com as mudanças de seu corpo. Sempre muito apegada a sua avó, por quem tem uma devoção gigantesca, está tendo que enfrentar dizer adeus para ela, da maneira mais lenta que pode imaginar. Josi, sua avó, está partindo. Seu câncer está consumindo sua vida e não resta mais tanto tempo. Agora, tendo que lidar as mudanças de sua vida e importantes decisões, Mira enfrenta não só o desapego de tudo que pensou ser verdade, como também o questionamento de quem ela realmente é.

"Quando leio alguma coisa no presente, desapareço na leitura, como quando estou pintando. É como se eu não existisse mais, simplesmente me perco lá no meio dos personagens."

É totalmente impossível não se apaixonar pela personagem criada por Brahmachari. Mira é garota tímida que qualquer leitor vai desejar conhecer e abraçar. Narrado em primeira pessoa, o livro vem estruturado em forma de diário, e isso já reflete boa parte de sua essência. Tanto o título bem peculiar, quanto a estrutura selecionada pela autora, são totalmente explicados conforme nos aventuramos em suas páginas. A história em si, tem três grandes divisões. A primeira pode ser encontrada com Mira narrando sua convivência com sua avó. São estes capítulos, que com ganchos bem elaborados por Brahmachari, puxam a segunda maior parte do romance: recordação. Temos alguns flashbacks da infância de Mira, demonstrando diálogos que teve com sua avó. Assim como qualquer outro elemento da trama, este com certeza não é sem fundamento. Essas lembranças tem suma importância não só para ilustrar a proximidade que as duas personagens tem (o foco total da trama é este relacionamento, que não muda, mesmo com todas as transformações que Mira começa a sofrer), como também sempre filosofam informalmente sobre questões da vida. A autora levanta debates instigantes sobre religiosidade, fé, Deus, comportamento humano e outros aspectos da vida cotidiana, desde os mais banais, aos mais focados socialmente.

A terceira e última maior parte da história é mais voltada ao público feminino, e com certeza, uma leitora, terá maior identificação do que um leitor. Respectivamente nesta parte, a escritora irá trabalhar o dia a dia Mira, desde a escola, a sua convivência com os outros membros de sua família. Neste espaço vemos a personagem enfrentar dramas mais clichês, como primeiro amor, primeira menstruação, laços de amizade e fidelidade, e também bullying. Sempre bem trabalhos, o que mais me chamou atenção na narrativa de Brahmachari foi a esperteza de trabalhar tantos temas, sem deixar nenhum em particular a desejar. 


Como mencionei, seus personagens são cativantes, todos a sua maneira. O primeiro momento do romance, quando a história se mostra mais introdutória, apresentando personagem por personagem, é um pouco lento, mas não cansativo. Essa provavelmente deve ter sido a maior falha do romance. A meu ver, o público estritamente feminino que a autora escreveu e a lentidão ao iniciar da obra, tornando a leitura maçante em determinados momentos para mim,  e até tediosa. Como disso, o público é um pouco fechado, e como leitor masculino, não me identifiquei tanto com os dramas da personagem. Isso, contudo, não muda o fato de que é uma leitura leve, e voltada para o público que é, bem instrutiva, compensadora. A autora trabalhou dramas que a faixa etária do livro deve vivenciar e desta forma, encará-los, se não na vida, na literatura. Além disso, os debates filosóficos servem para aguçar, de certa forma, um senso mais crítico; um posicionamento desse leitor ao final da obra. 

Corações de Alcachofra apresentou uma personagem diferente, magnifica e muito peculiar. Mira é a estrela do romance, mas não passa nem perto de ser a melhor. Pat Print é sim a grande "rainha" da obra. Além de apresentar discussões e citações marcantes, a personagem garante cenas de comédia e emotivas, que levam o leitor a gostar ainda mais dela, mesmo sem saber muito, transformando a obra, que já apresenta uma temática um pouco pesada para a idade (falar sobre câncer, embora a doença não seja sempre centralizada) em algo mais leve, reflexivo e divertido. Corações de Alcachofra é sem dúvidas, uma boa leitura para um sábado ou domingo a tarde, garantindo um desenvolvimento um tanto quanto surpreendente e personagens maravilhosamente apaixonantes.