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Resenha #93: Navegue à Lagrima - Leticia Wierzchowski

Edição: 1
Autora: Leticia Wierzchowski
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção/Romance Brasileiro
ISBN: 978-85-8057-744-0
Ano: 2015
Páginas: 208


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Avaliação:




Resenha:



O mais recente romance da Leticia Wierzchowski, traz a mesma sensibilidade contida em seu último livro, Sal, com uma escrita rica e tocante, personagens bem estruturados e de uma humanidade ímpar.

Após uma perda, a editora Heloísa busca refúgio em uma casa na zona litorânea do Uruguai, que antes pertencera a uma escritora renomada chamada Laura Berman. Sozinha, Heloísa passa seus dias na presença do resto da mobília e pertences deixados pelos antigos moradores, contendo um pouco das memórias da família que ali residia. Entre um drinque e outro, como se abrisse uma faixa no tempo, Heloísa passa a ter visões dos antigos moradores na casa; tomando banho na piscina, conversando, as crianças correndo e brincando... não de forma assustadora, mas como se um projetor estivesse ligado e dando vida a essas lembranças. No meio disso tudo, editora e escritora terão suas vidas unidas por meio de recordações.


Navegue à Lagrima é narrado em primeira pessoa pela personagem Heloísa, ela começa sua narrativa falando de sua obsessão por essa família, porém alerta que não foi ela quem começou a correr atrás e que precisa escrever essa história. Esta é uma obra rica nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença e são neles que a personagem principal encontrará soluções para superar suas perdas e chegar ao conforto. Ela conversa com o leitor, dialoga e brinca na hora de contar sua história; um capítulo dedica a sua vida, enquanto no outro passa a atribuir à sua admirada autora Laura Berman. São poucos os diálogos contido na obra, mas que são compensados com muitas reflexões sobre o atual momento, a perda do esposo, o filho já adulto e tudo isso entrando em interseção com a família que na casa começa a transitar. A escrita da Letícia Wierzchowski é bem poética e floreada, com um léxico bem utilizados e que causa certa inveja aos escritores amadores.

Porque a felicidade – e essa história, creio, versa um pouco sobre isso, sobre um tempo especial da vida em que todas as coisas parecem perfeitamente encaixadas, unidas com graça, elevadas por uma simbiose perfeita -, bem, a felicidade é sutil, é discreta e delicada feito um beija-flor, esse passarinho que consegue a proeza de bater asas até oitenta vezes em um único segundo. Assim é a felicidade, essa transformadora dos dias, hábil artesã das coincidências. – Pág. 110

Temos duas histórias de amor: uma linda onde o Deus Pã colocou sua mão ajudando para que o tempo não conseguisse quebrar, que ultrapassou barreiras e que nos mostra o quanto é possível se esvair daquele amor, quase que completamente (senti-lo ir embora), mas mesmo com uma lacuna de décadas, voltar a ter a mesma chama que uniu o casal um dia. E a outra, que parece esquecida aos deuses, que tentou por duas vezes, mas que por uma doença, ou por falta do sentimento amor, não conseguiu se estruturar por muito tempo ou deixou apenas saudades e uma semente.


Senti um certo tom de autobiografia em algumas nuances do romance, como a personagem Laura ser escritora, as circunstancias em que ela conhece o esposo Leon, a cor dos cabelos e a quantidade de filhos. Posso estar me equivocando no momento, mas esses detalhes me lembraram um pouco da vida da Letícia Wierzchowski. Não estou tirando mérito da autora, ao contrário, isso deixou o livro ainda mais especial. ♥
Gosto de ler seus livros, gosto mesmo.
Gosto de buscar, no meio da sua ficção, as pistas da vida real que as páginas escondem. Ora, sei perfeitamente bem, pois sou uma leitora voraz, que a literatura é a invenção, é criação, mas sempre há o pó da vida nos cantos da literatura, como pegadas, como marcas sutis da humanidade e do passo do autor. – Pág. 132
Mais uma vez a autora me surpreendeu e confirmou sua entrada no meu time de autores favoritos, me deixando instigado a ler todas a suas obras, independente de ser para crianças ou adultos. Gostei demais de poder navegar nas recordações das duas histórias e pude refletir sobre assuntos essenciais para a vida, como a convivência mútua.

Até mais,
Pedro Silva

2 comentários:

  1. Oi Pedro,
    Primeiramente, adorei o texto e adorei saber um pouquinho mais sobre o livro. Não sabia nem do que se tratava. Como já tinha anotado sua dica do "Sal", foi bom saber um pouco sobre esse também e o estilo da autora.
    Em relação à trama, essas projeções do passado me lembrou muito o plot geral de "A Invenção de Morel", do Adolfo Bioy Casares. Se não conhece, dá uma pesquisada depois, acho que vai curtir muito.
    Abração!
    Ademar Júnior
    https://coolturalblog.wordpress.com/

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  2. Eu sou suspeita para falar sobre qualquer que for a obra de Letícia. Todas elas me tocam de alguma forma. Adorei seu texto, à propósito... E estou fazendo o que você falou. Comprei vários livros dela e, devagarinho, estou lendo e resenhando no blog =)
    Beijos
    http://www.angelicabrunatto.com.br

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