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Resenha #100: A Última Dança de Chaplin - Fábio Stassi


Lido em: Agosto de 2015
Título: A Última Dança de Chaplin
Autor: Fábio Stassi
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Ano: 2015
Páginas: 224

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Avaliação: 
      




Resenha:

Para escapar da Morte, Chaplin precisa fazê-la rir. Esta é a premissa do mais novo livro do autor Fabio Stassi publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. Chaplin já se encontra com oitenta e dois anos e, inconformado com a chance iminente de partir para 'o outro lado' sem ter a possibilidade de estar presente para presenciar o crescimento de seu filho, decide então fazer uma aposta simples e direta com a Morte: caso ele a consiga fazer rir, ganhará um ano de vida, até o Natal do ano seguinte. Sendo assim, a Morte todo ano o visita. Enquanto espera o encontro fatídico, Chaplin escreve uma carta para o filho, contando a ele seu passado: da infância pobre na Inglaterra, com o pai alcoólatra e a mãe louca, ao auge do sucesso nas telas de cinema dos Estados Unidos, passando pelo circo, pelo vaudeville e por empregos estranhos, como tipógrafo, boxeador e embalsamador.


Abordando temas variados, que levam o leitor da magia do picadeiro ao esplendor do surgimento dos primeiros filmes produzidos no mundo, Fabio Stassi faz uma leve e suave mistura entre fantasia e realidade. Durante o decorrer da narrativa, é perceptível que o autor possui um bom conhecimento acerca do que escreve. Esse 'estudo' da biografia de Chaplin agregou um valor incomensurável à obra, já que essa junção entre fatos verdadeiros e pensamentos ficcionais transformou o conjunto em uma dos livros mais belos e tocantes que li no ano em que estamos.

O enredo em si é, de forma geral, consistente. A escrita do Stassi consegue ser fluida e ao mesmo tempo bem elaborada, nos deixando presos ao livro e tudo que ele tem a nos oferecer. Há em toda a narrativa, em especial nas cenas onde a Morte interage com Chaplin, passagens bem humoradas que chegam a arrancam gargalhadas do leitor.

Aprender a perder a perfeição é cruel demais e persegui-la por toda a vida é um gesto inútil e soberbo.


O livro começa de uma maneira não muito convencional e que não parece estar, de maneira nenhuma, ligada ao protagonista. Entretanto, essa história paralela à de Chaplin consegue ser fantástica e ao mesmo tempo singela, fazendo com que lágrimas brotem em nossos olhos sem que percebamos. Todos os personagens são muito bem construídos e descritos, tornando-os vivos em nossas mentes.

Além de nos mostrar a vida em si do protagonista, Fábio Stassi também explicita tudo aquilo que acontecia no mundo na época de Charles. Há passagens críticas sobre o KKK (também conhecido como Ku Klux Klan), sobre o monopólio capitalista das grandes produtoras, além de vários outros pareceres sobre a organização social e cultural daquele momento da história mundial.


E o silêncio, em um sujeito alegre como ele, doía, porque soava como uma nota desafinada.

Não há palavras que possam definir o quão maravilhoso está o trabalho do exemplar físico da obra. A capa, como vocês podem perceber pelas imagens, está simplesmente perfeita. Todo o trabalho gráfico interno também está de primeiríssima qualidade, assim como o material usado na confecção do livro. A fonte é um pouco menor do que a que costumamos ver por aí, mas nada que chegue a desagradar. As folhas são levemente amareladas.

Dizem que o universo surgiu de uma grande e incompreensível explosão. Para mim, deve ter acontecido no picadeiro de um circo. Uma mulher dava piruetas no ar e um homem capturou seu movimento em uma caixa mágica , e o reproduziu infinitamente, até povoar a terra de sombras e enchê-la de serragem, risadas e lágrimas. Deve ter sido assim, Christopher, porque só na desordem do amor toda acrobacia é possível.

Se você, assim como eu, gosta de conhecer um pouco sobre a vida de pessoas importantes que um dia colaboraram para o crescimento e evolução do nosso mundo, creio que esse seja um dos livros que você não pode deixar de fora de sua lista de leitura. Ficção e realidade se misturam de forma inimaginável produzindo efeitos arrebatadores em nossos corações. Não perca a oportunidade! Leia A Última Dança de Chaplin e se surpreenda com o quão agradável a morte pode ser!

Até logo,
Sérgio H.

Um comentário:

  1. Oi Sergio
    Parece ser um enredo bem tocante :3 Ahh gente, sério mesmo, amei profundamente. Bem emocionante pelo jeito, e apesar de não ter lido grandes coisas sobre esse tipo de gênero, gostei dessa. O marca pagina ficou muito bonito *-* E capa também.

    Abraços
    David Andrade
    http://www.olimpicoliterario.com/

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