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Resenha #88: Ísis Americana - Carl Rollysin

Lido em: Julho de 2015
Título: Ísis Americana
Subtitulo: A Vida e a Arte de Sylvia Plath
Autor: Carl Rollysin
Editora: Bertrand Brasil
Gênero: Biografia
Ano: 2015
Páginas: 392

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Avaliação:








RESENHA:



Ísis Americana - A Vida e A arte da Sylvia Plath, do jornalista Carl Rollysin vai nos trazer uma biografia riquíssima de uma das poetisas norte-americanas de língua inglesa mais importantes do século XX e um ícone feminista.

Em seu primeiro capítulo, Carl Rollysin aborda de forma bem rápida o nascimento em 27 de outubro de 1932 no estado do Massachusetts, a infância e juventude da pequena Sylvia, carregada do sofrimento e morte do seu grande super homem - seu pai -, aos seus 8 anos de idade. Aos 12 anos, Sylvia já desenhava e escrevia algumas coisas. Esse primeiro capítulo foca nos ensino fundamental e colegial da jovem poeta.
Já no segundo, vamos conhecer uma Sylvia mais adulta e admirada por seus estudos brilhantes na faculdade Smith College. Nesse tempo ela ganha seu primeiro prêmio por um conto e quando, depois de 40 textos não aceitos, conseguiu sua primeira publicação. Aqui é onde ela conheceu Dick, um homem que se encantou e viu talento no que ela escrevia, e ainda mais, conseguia decifrar um pouco do interior da Sylvia. Também tomamos mais conhecimento de sua mãe, Aurelia Plath (1906 - 1994), que era bem presente na vida da filha, mesmo que por cartas, mas não era uma relação tão boa. As ideias de suicídio já apareciam na vida de poetisa.



O terceiro capítulo se foca onde é possível percebe a grande semelhança de sua vida com a sua obra em A Redoma de Vidro. Sylvia se empolga ao ganhar um estágio como editora convidada na revista Mademoiselle, em Nova York, mas assim como a sua personagem Esther, ela também se cansa e ao voltar para casa entra em uma depressão e tem sua primeira tentativa frustada de suicídio. Após se forma, ela consegue uma bolsa da Fulbright na Universidade  Newhan em Cambridge.

No quarto capitulo o autor aborda a adaptação da Sylvia à uma nova cultura que acaba conhecendo a visão que os Londrinos têm dos EUA: um país enlatado. O mito de Ísis vai se encaixar em sua vida, quando ela conhece o já popular poeta Teg Hughs (1930-1998), o seu Osíris a quem ela tanto procurou em outros homens, e para ela, ele era como "a sua metade masculina". Eles se casam escondidos da faculdade, temendo que a mesma retirem a bolsa da Sylvia - o que não acontece - e passam a lua de mel pela Europa, onde a autora fez alguns desenhos. Apaixonados se mudam para os Estados Unidos.


Nos próximos capítulos, a vida da Sylvia Plath passaria por grandes altos e baixos. Ela dá a luz primeiro a uma menina em 1 de abril de 1960, Frieda Hughes, e depois a um menino, Nicholas Hughes, nascido em 17 de janeiro de 1962. Seus poemas ganham uma notoriedade, mas ela que r escrever algo mais grande, um livro de poemas que a fará ficar conhecia ou um romance, e junto com o Ted eles conseguem sobreviver disso. Mas a suposta traição de Teg faz todo o seu mito se desconstruir e as colunas construídas por ela nesse casamento viram ruínas, levando-a a uma tentativa definitiva de suicídio em 11 de fevereiro de 1963, na Primrose Hill, Londres, deixando dois filhos e a sua obra literária.

No último capítulo o autor traz um diferencial, uma parte após a morte da Sylvia Plath, abordando assuntos como a guarda das crianças e a briga constante com os jornais pelos direitos autorais da obra dela, ficando com Teg Hughes que não queria deixar expor toda a vida da autora.


Para um apaixonado pela obra da autora, o livro traz muitos detalhes de sua vida, e o melhor, Carl Rollyson consegue esmiuçar várias biografias para constituir a sua, fazendo valer o que não foi tão explorado em outras obras sobre Plath, ainda mais, ele relaciona a vida dela com suas obras, nos dando interpretações e o contexto do que ela estava passando. São oito capítulos que constitui o livro, sendo o último como dito anteriormente focado em seu legado póstumo. Além do mais, o livro possui quatro apêndices que  trazem entrevistas exclusivas e alguns livros grifados ou rabiscados pela Sylvia Plath.

É um livro de leitura fácil, que mostra a personalidade conturbada da poeta, passando por altos e baixos em sua busca implacável pelo seu Osíris e por um lugar no hall de autores que deixaram um legado memorável na literatura. Uma mulher perfeccionista ao escreve, que se destacava por sua inteligência e que escrevia de uma forma que dialogava com as fases de sua vida, até demais. A leitura pode ser fácil, mas é possível sentir a angustia e uma uma empatia forte. Com toda certeza, essa biografia é uma prato cheio para quem gosta da obra e se identifica com a personalidade da autora.


Canção de Amor da Jovem Louca, poema da Sylvia Plath traduzido por Maria Luíza Nogueira:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)


Att, 
Pedro Silva

Um comentário:

  1. Olá, como vai?
    Sylvia Plath é demais! <3
    Adoro a prosa e a poesia dela! Eu li dois livros dela recentemente, de poesias, e achei muito bacana! Não via uma tristeza, mas uma melancolia. Em certos momentos, cheguei a me identificar com alguns trechos das obras. Um dos trechos mais marcantes, pra mim, é: "We should meet in another life, we should meet in air, me and you." <3
    Quero muito ler sobre ela, aí, começarei o The Unabridged Journals of Sylvia Plath!
    Abraços!
    http://incriativos.blogspot.com.br/2015/07/a-nascente-uma-obra-prima-de-ayn-rand.html

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